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Man Repeller: O Livro

14 outubro 2014
Man Repeller: a divertida moda que espanta os homens, por Leandra Medine. Foi o livro que li mais recentemente e antes que eu comece minha resenha sobre ele, preciso falar sobre a autora do livro (e assim estruturar o raciocínio que vai me levar à análise da obra propriamente dita). Já falei sobre Leandra Medine várias vezes aqui no blog. Se existe uma blogueira neste mundo que me salva de olhar sempre para a moda com um olhar óbvio e cansado, essa pessoa é ela.

Leandra Medine é uma jovem blogueira americana, de família judaica tradicional, dona de um estilo peculiar, uma das 30 pessoas mais influentes com menos de 30 anos, pela Forbes, que um dia resolveu criar um blog para mostrar como ser uma repelente de homens. Conversando com uma de suas melhores amigas, sobre sua vida amorosa, a amiga afirmou que Leandra não conseguia namorar por causa das roupas que ela escolhia usar, sempre diferentes do óbvio, extravagantes, improváveis e, na maioria das vezes, não muito sexys nem femininas. Foi assim que nasceu o blog The Man Repeller, hoje um dos 25 blogs de moda mais influentes do mundo. Um dos poucos, se não o único blog que eu leio impreterivelmente todos os dias porque, além de mostrar looks realmente criativos, Leandra é uma exímia escritora, tem um humor sarcástico maravilhoso, é ultra-inteligente e articulada e transforma qualquer assunto banal em pura ~interessância~. É o tipo de mulher que eu sonho em ser quando crescer. 



Leandra Medine: o estilo e o livro na versão original. 
 
Posto isto, posso analisar agora o livro na versão brasileira. Em primeiríssimo lugar eu, particularmente, acho um absurdo as traduções TOSCAS que são feitas de títulos de livros e filmes no Brasil. Man Repeller: procurando o amor. Encontrando macacões. Pronto, estava resolvida a tradução que, além de ser mais fiel ao título original, já entregava a essência da história de Leandra e nos poupava desse título "a divertida moda, blá, blá, blá" versão sessão-da-tarde. Em segundíssimo lugar, achei a capa do livro horrorosa, jocosa e imbecil. De verdade. Quando vi o livro na prateleira, imaginei que pudesse ser uma dessas publicações cafonas de "como enfrentar os amores da adolescência e sobreviver à universidade", algo do gênero. Infantil e bobo. Nada a ver com a MULHER INTELIGENTE que o escreveu. Inclusive a capa original chamaria mais atenção e pareceria menos fútil. Em terceiro lugar, eu imagino que o texto original seja infinitamente mais interessante, com expressões que devem ter sido mal traduzidas para o português, porque Leandra é engraçada e o livro nem tanto. Por último, encontrei vários erros de português. Socorro.

Agora o conteúdo: leve, muito leve e extremamente pessoal. Leandra faz um apanhado da sua vida e conta suas histórias (desde perder a virgindade até suas bebedeiras em Paris) através das roupas que marcaram cada momento. Adorei essa ligação, porque eu mesma tenho N histórias ligadas ao que eu já vesti e, se para um homem a roupa diz pouco, para uma mulher a roupa tem um significado muito mais amplo do que somente a necessidade de cobrir o corpo. Muitas referências do livro não são do nosso entendimento, porque simplesmente não somos nascidas e criadas em Nova York, né? kkkkkk Mas todas as histórias são pontuadas por uma verdade da blogueira que é a minha máxima para a vida (e por isso eu me apaixonei):



"Sempre me preocupei mais em parecer "descolada" que "bonita". Roupas atraentes do tipo convencional, como pretinhos básicos, jeans skinny [...] nunca despertaram tanto o meu interesse quanto formas interessantes...e cores escandalosas. Percebi rapidamente que essa minha preferência era libertadora."


O livro poderia ser mais incrível? Sim. Mas ainda vou ler a versão em inglês pra saber se não houve um telefone sem fio aqui. Mas no geral, eu gostei, principalmente do meio para o final da narrativa. Por fim, o que o livro nos passa é essa mensagem de liberdade onde, mais importante do que encontrar o amor, é encontrar quem somos, mesmo que isso signifique ser...extravagante.

O livro é da Editora Novas Ideias e não custou mais de R$ 30.

Beijos, Carols

book do dia: Risíveis Amores

12 novembro 2013


De vez em quando eu faço umas indicações de livros que gostei, aqui no blog. Fazia tempo que não rolava um #bookdodia por dois motivos: 1) a vida boêmia esgota meu tempo de leitura (hahahaha abafa!) 2) eu tentei ler alguns livros e não consegui me interessar pelas histórias. Acontece que Milan Kundera é um autor que tem lugar cativo no meu coração e aos poucos eu estou comprando todos os livros que foram escritos pelo cara. Uma questão de apego/honra mesmo. 

Li umas duas vezes A Insustentável Leveza do Ser, li O Livro do Riso e do Esquecimento (esse inclusive tirei notas nos cantos das páginas por que achei passagens sensacionais!!) e comprei outros 3 livros dele: A Arte do Romance, A Vida Está em Outro Lugar e Risíveis Amores, que estampa o post de hoje.

Antes mesmo de chegar na metade do livro de hoje, eu resolvi escrever sobre ele. É que não é todos os dias que um livro te faz perder a noção do tempo no metrô e esquecer de descer na parada certa. Pois bem. Adoro ficar envolvida a tal ponto com uma leitura, que eu perca a dimensão das coisas. Isso significa que meu coraçãozinho crítico foi profundamente tocado por algo intangível e belo. Ultimamente só Milan faz isso comigo (e o Rio de Janeiro, claro. hahahaha)

O que eu mais gosto em todos os livros do autor é a capacidade que ele tem de verbalizar, com detalhes, sentimentos e situações de tal forma que você se enxerga nelas. Não é uma descrição de cenários, de roupas, de paisagens. Nada parecido com o "apelo visual" de um épico fantástico como Game of Thrones. É uma descrição de seres e sentimentos sublimes demais, densos demais, humanos demais.

Em Risíveis Amores, Milan Kundera escreve em primeira pessoa, o que me dá a sensação de estar lendo histórias dele (ainda que possam ser pinceladas de ficção) e esse tom autobiográfico me faz ficar ainda mais interessada na leitura. Como todos os livros que li dele até agora, Risíveis Amores pula de uma história para outra, sem aparente ligação entre os capítulos, mas sempre com uma visão jocosa sobre ironias amorosas, dignas de riso. Tem um gostinho de "quero MUITO mais" e vale muito a leitura. 

Comprei o livro na Livraria da Travessa, aqui no centro do Rio. :)

Beijos, Carols

book do dia: Os Amores Difíceis

19 junho 2013

Mais um livro lido. Os Amores Difíceis, escrito por Italo Calvino, foi indicação de um amigo da agência. Gostei bastante do estilo do escritor, apesar do livro não ser uma narrativa inteira. O livro reúne uma série de contos que abordam sempre as angústias do amor. Sem pieguices, mas com a densidade de quem vive e se identifica com algumas situações. Um livro ótimo para quem adormece lendo. hehehe. Como são contos curtos e independentes, você para a leitura, mas não perde o rumo da história, porque não é uma história só. Todos os contos são bem interessantes e você sempre tem vontade que a história continue e tenha um rumo, mas é aí mesmo que está o encanto desta obra: é imaginar o que vem depois, porque o autor sempre nos interrompe.

Comprei na Livraria Cultura e a publicação é da Companhia das Letras. :)

Beijos, Carols

book do dia: riso e esquecimento

21 maio 2013

Faz tempo que eu não coloco uma indicação de livro aqui no blog porque começo vários livros e não termino nenhum. Minha mente está tão confusa que fica difícil até concluir uma leitura. Mas há umas 2 semanas viajei para o Rio a fim de resolver umas coisas da vida prática e aproveitei as quase 3 horas de vôo para colocar a leitura em dia. O livro escolhido foi "O livro do riso e do esquecimento" do escritor tcheco Milan Kundera. Eu já tinha lido "A insustentável leveza do ser" dele e já tinha adorado a forma como ele escreve. 

Não me decepcionei com este. Aliás, me envolvi tremendamente como há muito não me envolvia. Me vi em dezenas de histórias e marquei várias páginas para reler sempre que eu quiser. Li, reli e refleti em diversas partes. O livro é composto de vários contos diferentes, que têm um denominador comum: as relações humanas que se desenrolam, são sempre permeadas pelo riso ou pelo esquecimento. Duas coisas que são constantes na minha vida.

O livro é lindo e muito rápido de ler. Li metade no vôo de ida, metade na volta. Para quem tem medo de avião, como eu, a leitura foi uma distração sensacional e um passaporte para eu encher minha estante com mais livros do autor. Agora que eu peguei o ritmo da leitura, independentemente da zona em que se encontra a minha vida, eu espero não parar mais. 

Beijos, Carols

na minha estante / a carioca

10 fevereiro 2013
Esta semana li, em apenas um dia, o livro A Carioca, escrito por Renata Abranchs e Tiago Petrik, editores do RioETC, um dos meus blogs preferidos de streetstyle. O livro é um "manual" da carioquice que resume, breve e superficialmente, o estilo de vestir e de viver da carioca. Confesso que não é o tipo de leitura que eu mais amo na vida, mas as dicas do livro são bem legais para quem quer abraçar a cidade e passear por aqui. O Rio de Janeiro tem uma energia diferente que, pra mim, emana da natureza incrível que invade nossos olhos o tempo todo. A cidade transpira liberdade.


Eu não sou carioca. Fato. Por mais que eu me encaixe no ritmo da cidade, por mais que meu estilo tenha encontrado um novo rumo desde que cheguei ao Rio, meu sotaque continua sendo pernambucano, eu continuo falando "oxe" e "massa" e não consigo falar "djinheiro". Continuo sentindo falta de tomar caldinho de feijão na praia e odeio chá matte e biscoito Globo. Mas amo samba, praia, showzinho, natureza e caipiroska, então presumo que esta cidade é perfeita pra mim. 

Como uma não-carioca eu sei que este livro é um retrato da carioca pelo ponto de vista único e exclusivo de cariocas. Então é claro que eu achei toda a carioquice carregada de uma certa romantização do espírito de quem nasce na cidade maravilhosa. Para explicar melhor meu ponto de vista, é tipo assim: digamos que a imagem da garota carioca sangue bom é aquela que veste Farm e usa pouca maquiagem. Mas na real mesmo, eu vejo muito mais gente de calça jeans e camiseta andando pela rua. hahahahahaha #realidades

O livro vende um jeito carioca que é a forma como o carioca se comporta com outros cariocas. Mas eu compreendo que, em livro nenhum sobre o Rio de Janeiro, algum carioca vai falar do mau atendimento absurdo que se encontra em 80% dos serviços no Rio de Janeiro, ou de como a maioria desses atendimentos são feitos com má vontade e ainda como essa má vontade triplica quando o carioca percebe que seu sotaque é... NORDESTINO. Gente, é ridículo pensar que, em pleno século 21, exista esse tipo de preconceito cafona. #pelamordedeus!

Claro que não são todos os cariocas (óbvioooo!), mas eu já ouvi cada coisa tão surreal/nojenta/preconceituosa por conta do meu sotaque, que me senti meio traída por essa imagem da carioquice-gente-boa que é tão disseminada. (um exemplo? "Nossa, você é até bem bonitinha, pra ser uma paraíba.") Pasmem. No Rio só convivo com gente de outros estados: cearenses, paraibanos, brasilienses, baianos, paulistas (e 2 cariocas kkkkk)... e por isso eu acredito que o livro é lindo, é massa, é maravilhoso, mas é uma estereotipagem meio idealizada do carioca. Contudo, as dicas são bem legais e vale muito a pena anotar num caderninho os futuros roteiros!

Senti falta de conhecer "mais profundamente" a carioquice. Expressões, opiniões, personalidades e comportamentos humanos, mais do que os lugares que os cariocas frequentam. Achava que o livro teria uma abordagem mais antropológica/histórica (cof cof cof), mais abrangente e profunda do que um simples guia de lojas, baladas, salões e restaurantes. Talvez a proposta do livro seja a de uma narrativa leve e descomprometida e eu criei uma expectativa equivocada. Entendem? O livro chama-se A Carioca e eu realmente queria conhecer a carioca de verdade. Apresentem-se! :P kkkkkkk

Beijos, Carols

cara amassada, look amassado

04 janeiro 2013
Se minha avó lesse este blog, hoje era o dia em que ela ia me ligar mandando que eu passasse imediatamente meu vestido a ferro. Vovó não entende essa minha linha-mulambo que eu insisto em vestir. Vestido amassado, calça rasgada, camiseta furada são só algumas das iguarias fashion que compõem o meu estilo. É que esse tipo de roupa combina comigo! Transmite com perfeição esse ser mentalmente desorganizado que eu sou. 

A bagunça do meu cérebro está sempre refletida na minha roupa, na zona que está no meu quarto, no cabaré que estão meus emails inorganizáveis (essa palavra existe?), na facilidade que eu tenho em perder chaves de casa, cartões de crédito, consultas no médico e pendrives. Seria angustiante e desesperador, se essa não fosse uma característica minha DESDE SEMPRE. 

Minha cabeça vive na lua e é muito comum, inclusive, eu não lembrar de pessoas, nomes, situações e tarefas da vida prática como cancelar aquele cartão maldito que eu não uso, mas pago todo mês uma taxa qualquer. Por que minha cabeça se ocupa com tantas questões mais urgentes e interessantes como pensar no próximo desenho, ou pensar em mais uma biografia que li de Frida Kahlo, ou pensar que tenho que ir naquela exposição impressionista lá no centro, ou pensar que quero aprender a andar de skate, ou pensar que...

Tem sempre um milhão de outras coisas ocupando minha mente e, por causa dessas coisas, eu passo a madrugada produzindo/lendo/escrevendo/pensando e acordo no outro dia atrasada, com essa cara de pão dormido. Aí saio de casa assim mesmo, com o vestido amassado igual um maracujá, mas feliz da vida por que eu deixo a preocupação do vestido amassado consumir a cabeça de vovó e não a minha. :P

e essa unha descascada MARAVILHOSA?????? hahahahaahahhaah

Daí que ontem fui dormir às 2h da manhã. Pra mim isso é BEM TARDE por que eu preciso dormir umas 12 horas por dia pra ser realmente feliz. hahahahah Comecei a pintar um autoretrato em tinta acrílica sobre papel canson e decidi que talvez seja hora de comprar umas telas e voltar a pintar quadros. Talvez. :)


Além disso, ontem terminei de ler mais um livro que trata sobre a vida de Frida Kahlo, sendo este uma perspectiva do relacionamento dela com Diego Rivera. Gostei muito do livro! Continuo achando que a biografia escrita por Hayden Herrera é muito mais completa, mas mesmo assim vale a pena ler este também.


E hoje, no metrô, comecei a ler o livro 1808, que trata da vinda da corte portuguesa para o Brasil. Me disseram que o livro é maravilhoso e, mesmo tendo lido umas 3 páginas apenas, já gostei do estilo de narrativa do autor. Como eu adoro história, acho que vou amar este livro! Depois falo mais sobre ele. :)


É isso! Ufa!

Vestido: Marina Morena, R$ 105 | Camisa: Stradivarius, 19 euros | Colar: Stradivarius, 12 euros | Bolsa: Renner, R$ 90 | Sandália: bem velha, da C&A, R$ 79 | Pulseira: Fenearte, uns R$ 10.

Beijos, Carols

minimalismo forçado

23 novembro 2012
cabelo despenteado. O_o
Com blazer e sem o colar
 O bom de passar uma noite acordada, tossindo compulsivamente é:

1) ver o sol nascer
2) trabalhar a musculatura abdominal involuntariamente #projetolalanoleto 

E eis as únicas coisas boas de adquirir uma gripe daquelas. Não sentir o gosto das coisas também é legal, por que não dá vontade de comer e nossa barriga fica lisinha com 1 kg a menos de líquidos retidos. 

Tirando isso, a gripe só me deu essa cara abusada de Bella (de Crepúsculo, gente! hahaha), que nem um vampiro lindo e brilhante podem me fazer sorrir (e nem a ela também, né? pqp). Nem preciso dizer que fui forçada a adotar um look minimalista, pra não dizer preguiçoso mesmo, por que, quando finalmente peguei no sono, já era hora de levantar pra trabalhar, de modos que eu estiquei um cochilo e me atrasei. Vesti uma roupa às pressas e saí assim, bem despenteada. 

A minha vontade era de apenas colar um livro no rosto, por que só mulher sabe como é terrível sair de casa com olheiras de gripe penduradas até o queixo. #carminhanolixão


E por falar em livro, eis aqui o que eu estou lendo no momento (junto com outros dois! hahah). "Como ser mulher" de Caitlin Moran. Não, não é um livro de autoajuda ensinando as mulheres a conciliar os afazeres domésticos com a vida profissional sem descer do salto. É um livro feminista (no sentido verdadeiro e não pejorativo da palavra) sobre essa experiência magnânima que é ser uma mulher moderna. 

A autora conta como foi a sua descoberta dessa "função" no mundo, narrando episódios engraçadíssimos da sua vida, cheios de humor, verdade e questionamentos, sempre com uma linguagem despachada e hilária. Ainda não acabei o livro, mas o pouco que li já me rendeu risadas incontroláveis em pleno metrô. :)

Camiseta: comprei numa dessas barraquinhas de rua do Leblon, R$ 20 | Saia: de uma lojinha que não sei o nome, também no Leblon, R$ 39 | Bolsa: Renner, R$ 89 | Sapatilha: Via Mia, R$ 79 | Colar: presente da mamis | Blazer: presente da irmã.

Beijos, Carols

com amor, Frida

24 novembro 2011
Já falei de Frida Kahlo mil vezes aqui no blog. Vivo fazendo posts sobre ela, vivo tirando fotos dos livros que coleciono sobre Frida no meu Instagram. A verdade é que eu conheci Frida Kahlo há pouco mais de 5 anos. Não vou dizer que sempre admirei a obra da artista, por que eu nem sequer conhecia, apesar dela ser uma das figuras mais icônicas do século 20.


Tinha um bar mexicano em Boa Viagem, o Tacos, que eu ia de vez em quando e numa dessas idas prestei atenção a algumas imagens que estavam emolduradas, penduradas na parede próxima ao banheiro do bar. Eram fotografias de uma das mulheres mais magnetizantes que eu vi na vida. Apesar de ser somente por fotografia. Lá estava aquela mulher, de roupas exuberantes, cabelos arranjados com tranças e flores, vários anéis adornando os dedos, um batom vermelho intenso preenchendo os lábios bem desenhados e um olhar desafiador, incontestável, profundo e zombeteiro. Não lembro exatamente quem foi que me segredou, mas uma voz chegou ao meu ouvido e disse: "Essa é Frida Kahlo. Você deveria conhecer a obra dela."

A partir desse dia Frida foi um nome que ganhou outra dimensão, outros contornos na minha vida. E eu nunca mais larguei. Pesquisei tudo e desde esse dia eu coleciono livros sobre a pintora. Biografias, compêndios de obras, cartas, receitas, imagens, tudo sobre Frida. Por fim, este ano, decidi que uma das minhas próximas viagens será para o México, onde eu pretendo visitar principalmente a Casa Azul, casa onde Frida Kahlo nasceu e onde se encontra hoje, em exposição, o maior acervo de peças da vida e obra da artista. É uma meta de vida, conhecer o México. Meu destino é conhecer a terra de onde brotou um ser tão extraodinário.

E como se fosse uma confirmação do universo, eis que eu entro no avião, a caminho do Rio de Janeiro, e me deparo com a nova edição da revista da TAM anunciando que a companhia aérea tem um novo destino: Cidade do México. Desculpa TAM, mas eu tive que trazer a revista pra casa comigo. 

Eis que a revista tem uma matéria maravilhosa com várias dicas de museus, palácios, centros culturais e programações para se ver e visitar no México. Na revista tem também a dica da "melhor biografia já escrita sobre Frida Kahlo." Mais uma coincidência do destino: há pouco mais de um mês comprei a bendita biografia sobre a pintora e esse tem sido meu livro de cabeceira todas as noites.


É impossível conhecer a vida de Frida e não se apaixonar pela obra e pela pessoa espantosa que ela foi e por isso achei que seria muito válido compartilhar com vocês esta dica de livro. Sem dúvidas, de todos os artistas modernos que algum dia eu estudei na escola ou pesquisei por fora, Frida foi a artista com quem eu mais me identifiquei em todos os aspectos: obra/vida/dor.

E aí vocês pensam: o que tem a ver Frida e um blog de moda? E eu deixo vocês com uma passagem interessantíssima desta biografia que relata o envolvimento emocional de Frida com suas roupas e mostra como o que vestimos tem mais a ver com a nossa alma, do que com a nossa aparência:

"Para Frida os elementos do vestuário eram uma espécie de paleta, da qual ela selecionava a cada 
dia as imagens de si mesma que queria apresentar ao mundo. [...] Frida encarava com uma atitude estética o ato de vestir. [...] Ela estava pintando um quadro completo, com cores e formas. [...] A vestimenta servia como substituto dela própria, uma segunda pele nunca totalmente assimilada pela pessoa escondida sob ela, mas tão integrada a ela que, mesmo quando era tirada conservava algo da pessoa que a usava. [...] Em seu diário ela descreveu que seu traje (...) era "o retrato ausente de uma única pessoa". Sempre uma forma de comunicação social, com o passar dos anos as roupas de Frida se converteram em antídoto contra o isolamento; (...) eram uma máscara e uma moldura. (...) as roupas distraiam Frida - e o observador - da dor interior." (Hayden Herrera)


Aos interessados:
Título: Frida - A Biografia
Autor: Hayden Herrera
Editora: Globo

Beijos, Carols

Ps: alguém aí já foi à Cidade do México? Aceito dicas. :)

mais do que sapatos

06 outubro 2011
Faltou post de look do dia, ontem e hoje, aqui no blog. Mas a causa é o trabalho (muito trabalho!) e um cansaço extremo que tenho tido nesta semana e que sono nenhum, nem noite nenhuma dormindo, tem melhorado. Parece uma doença! Posto isto, e aproveitando pra pedir desculpas pela minha ausência "fashion", vou escrever o post de hoje, propriamente dito.

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Um dia desses, conversando com Danilo, meu chefe e querido amigo, ele me fez uma pergunta que me deixou meio reflexiva: "Carol, como é que você, uma menina tão inteligente, que escreve bem, lê bons livros,  e etc e tal, tem um blog tão fútil que fala sobre moda?" (não vou iniciar um debate sobre a importância da moda tá? eu entendi a visão masculina dele embutida na pergunta. :P )

Eu só pude responder que sabia né? Na verdade, eu preciso desse equilíbrio na vida e que o blog de moda é o escape ideal pra quando eu quero escrever besteira, pensar em besteira, falar de sapatos e promoções, rir com os comentários das minhas queridas leitoras engraçadas, enfim. É a dose de leveza pra minha vida, que eu considero bem densa e muitas vezes parece um fardo imenso de se carregar. (não adianta dizerem que tem quem tenha vida pior. Eu não estou comparando nada.) É que o problema não está no exterior, digamos assim. A minha vida externa é ótima, não tenho do que reclamar, a não ser de trabalhar demais, mas isso faz parte. O problema é dentro da cabeça e olhem...não tem quem controle essa minha mente.

O fato é que sim, eu tenho um blog de moda, gasto meu dinheiro com roupas e sapatos, mas este post é para eu "exibir" o meu bem mais precioso: meus livros (não dou, não vendo, não empresto). Depois que eu consegui a tão almejada "independência financeira" não foi para a Arezzo que eu corri. Meu blog de moda poderia esperar. Eu corri pra Livraria Cultura e me dei ao luxo de comprar uns 5 livros de uma vez. Por que para cada salto 15cm onde eu me equilibro de um lado, do outro se equilibram o triplo de livros. E no mesmo quarto onde eu conto pares de sapatos, eu tenho o triplo de histórias pra contar.


Hoje foi dia de atualizar a parte artística da minha biblioteca pessoal (rumo aos 300 livros!! YRRULLL grandes merdas!) e acabei comprando na Cultura 3 livros de arte: mais um sobre Frida Kahlo (minha obcessão já conta com 5 títulos sobre a pintora!), um livro bem resumido da vida e obra do impressionista Paul Gauguin e um livro de história da arte, bem condensado, que foi até barato, levando em consideração o conteúdo, "Tudo sobre Arte". :)

Este foi o novo look do dia da minha estante. :P

Boa semana e boa leitura.
Beijos, Carols