Man Repeller: a divertida moda que espanta os homens, por Leandra Medine. Foi o livro que li mais recentemente e antes que eu comece minha resenha sobre ele, preciso falar sobre a autora do livro (e assim estruturar o raciocínio que vai me levar à análise da obra propriamente dita). Já falei sobre Leandra Medine várias vezes aqui no blog. Se existe uma blogueira neste mundo que me salva de olhar sempre para a moda com um olhar óbvio e cansado, essa pessoa é ela.
Leandra Medine é uma jovem blogueira americana, de família judaica tradicional, dona de um estilo peculiar, uma das 30 pessoas mais influentes com menos de 30 anos, pela Forbes, que um dia resolveu criar um blog para mostrar como ser uma repelente de homens. Conversando com uma de suas melhores amigas, sobre sua vida amorosa, a amiga afirmou que Leandra não conseguia namorar por causa das roupas que ela escolhia usar, sempre diferentes do óbvio, extravagantes, improváveis e, na maioria das vezes, não muito sexys nem femininas. Foi assim que nasceu o blog The Man Repeller, hoje um dos 25 blogs de moda mais influentes do mundo. Um dos poucos, se não o único blog que eu leio impreterivelmente todos os dias porque, além de mostrar looks realmente criativos, Leandra é uma exímia escritora, tem um humor sarcástico maravilhoso, é ultra-inteligente e articulada e transforma qualquer assunto banal em pura ~interessância~. É o tipo de mulher que eu sonho em ser quando crescer.
Leandra Medine: o estilo e o livro na versão original.
Posto isto, posso analisar agora o livro na versão brasileira. Em primeiríssimo lugar eu, particularmente, acho um absurdo as traduções TOSCAS que são feitas de títulos de livros e filmes no Brasil. Man Repeller: procurando o amor. Encontrando macacões. Pronto, estava resolvida a tradução que, além de ser mais fiel ao título original, já entregava a essência da história de Leandra e nos poupava desse título "a divertida moda, blá, blá, blá" versão sessão-da-tarde. Em segundíssimo lugar, achei a capa do livro horrorosa, jocosa e imbecil. De verdade. Quando vi o livro na prateleira, imaginei que pudesse ser uma dessas publicações cafonas de "como enfrentar os amores da adolescência e sobreviver à universidade", algo do gênero. Infantil e bobo. Nada a ver com a MULHER INTELIGENTE que o escreveu. Inclusive a capa original chamaria mais atenção e pareceria menos fútil. Em terceiro lugar, eu imagino que o texto original seja infinitamente mais interessante, com expressões que devem ter sido mal traduzidas para o português, porque Leandra é engraçada e o livro nem tanto. Por último, encontrei vários erros de português. Socorro.
Agora o conteúdo: leve, muito leve e extremamente pessoal. Leandra faz um apanhado da sua vida e conta suas histórias (desde perder a virgindade até suas bebedeiras em Paris) através das roupas que marcaram cada momento. Adorei essa ligação, porque eu mesma tenho N histórias ligadas ao que eu já vesti e, se para um homem a roupa diz pouco, para uma mulher a roupa tem um significado muito mais amplo do que somente a necessidade de cobrir o corpo. Muitas referências do livro não são do nosso entendimento, porque simplesmente não somos nascidas e criadas em Nova York, né? kkkkkk Mas todas as histórias são pontuadas por uma verdade da blogueira que é a minha máxima para a vida (e por isso eu me apaixonei):
"Sempre me preocupei mais em parecer "descolada" que "bonita". Roupas atraentes do tipo convencional, como pretinhos básicos, jeans skinny [...] nunca despertaram tanto o meu interesse quanto formas interessantes...e cores escandalosas. Percebi rapidamente que essa minha preferência era libertadora."
O livro poderia ser mais incrível? Sim. Mas ainda vou ler a versão em inglês pra saber se não houve um telefone sem fio aqui. Mas no geral, eu gostei, principalmente do meio para o final da narrativa. Por fim, o que o livro nos passa é essa mensagem de liberdade onde, mais importante do que encontrar o amor, é encontrar quem somos, mesmo que isso signifique ser...extravagante.
O livro é da Editora Novas Ideias e não custou mais de R$ 30.
Beijos, Carols






















