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Pantone do ano: Greenery!

14 dezembro 2016
E aí que a Pantone divulgou a cor de 2017. Confesso que fiquei ARRASADA porque o Greenery, esse verde alface super ~cheguei~ (eita expressão velha! kkkk), está no top 10 cores que eu mais odeio na vida. 


Mas depois fui ler o que a pantone pretende imprimir para 2017
com essa cor tão "polêmica" e achei muito interessante.

Segundo a Pantone, o verde Greenery é uma cor para renovar nossas energias para os desafios políticos, sociais e ambientais que estamos vivendo. A sugestão da marca é adicionar este verde à nossa vida como um todo, povoando nossa casa de plantas, colocando mais itens verdes e frescos na nossa alimentação, fazendo escolhas ecológicas em nossas decisões de consumo, usando energias limpas, exigindo políticas mais sustentáveis, nos conectando com a natureza e, por fim, adicionando a cor ao nosso armário, claro.

Olívia Palermo sendo plena e reenergizada kkk
Esse último ponto, de adicionar esse verde ao meu armário, é possivelmente o único que eu não farei. Mas todos os outros são inspirações muito válidas para o ano de 2017 e é incrível pensar que uma única cor, que supostamente poderia servir apenas ao universo da moda e do design, tem um poder de sugestão tão grande que pode realmente influenciar positivamente outros aspectos da nossa vida. 


Em 2016 eu já comecei a adicionar esse verde no meu dia a dia, colocando muita planta dentro de casa e realmente a diferença é enorme! Chegar em casa e olhar pra varanda toda verdinha, dá uma sensação muito boa e hoje, qualquer cantinho da minha casa tem uma planta pra eu olhar. 

Todos os anos a Pantone lança a cor do ano e eu achei a transição do rosa quartz e do azul serenity para o verde-alface meio brusca. Realmente me causou uma estranheza, apesar das boas intenções dessa cor. Então resolvi entrar no site para ver o histórico dos pantones (eu lembrava só de 2012 pra frente) e de todos os tons, esse Greenery de 2017 é o que eu menos gosto.


Mas como eles não são bobos nem nada, já colocam no site algumas ideias de paletas de cores com as quais o tom do ano combina. Acho que assim eles facilitam nossa vida na hora de inserirmos determinadas cores no nosso armário, além de ser uma mão na roda para quem trabalha com moda, design e decoração na hora de escolher tons de harmonizam com a cor do momento. Das 10 paletas apresentadas no site, esta foi a minha preferida:


Com outras cores por perto, até que o verde Greenery consegue ficar bacana, mas não é todo mundo que consegue "segurar" uma cor dessa sem se sentir ~vibrante~ demais. Além disso, esse verde tem um tom que, pra qualquer roupa ficar minimamente sofisticada, ela tem que ser "A ROUPA", sabe? Aquele corte perfeito, um tecido nobre, uma produção bem maravilhosa pra poder valorizar a cor e você não sair de casa com cara de chroma key igual a Rainha Elizabeth II saiu dia desses.


Como eu não curto cores muito abertas terei dificuldade em adicionar esse pantone aos meus looks e, sinceramente, não vou fazer muito esforço para usar por que nem acho que esse verde combina comigo. hehehehe Por enquanto eu vou continuar usando meus verdes abafados, desbotados, abacates, escuros e militares que nunca são o "pantone do ano", mas todo ano estão aí nas vitrines, nas roupas, na decoração e em todo lugar. \o/

Meus verdes preferidos!

Vamos ter energia renovada em 2017? Sim. Com plantinhas na casa? Sim. Com muitas verduras no prato? Sim. Mas com uns verdes mais elegantes, por favor. hehehe


Sobre nomes e proporções

06 abril 2016
Dia desses me deparei com um comentário sobre uma das peças da minha loja: será que essa saia é midi? A saia é questão foi apelidada por mim de "saia longuete" só por ser um pouco mais longa do que saias "midis" da minha loja e um pouco mais curta do que as saias realmente longas. Esse comprimento "longuete" existe de verdade e compreende qualquer peça que esteja ali abaixo da panturrilha e acima o ossinho do calcanhar. 

Porém nomear certas roupas - e principalmente comprimentos! - faz com que muitas pessoas fiquem reféns dessa nomenclatura e esqueçam que qualquer comprimento de roupa vai ser diferente em cada corpo que esse comprimento vestir, porque nós não somos todas do mesmo tamanho. 

Se você é mais alta, a saia fica mais curta. Se é mais baixa, a saia arrasta no chão. Se tem mais quadril a saia "sobe" e fica mais curta. Se não tem quadril a saia "descai" e fica no tamanho certo. Ou seja, tudo no nosso corpo influencia diretamente na percepção de comprimento das nossas roupas e, inclusive, o tamanho do nosso busto, da nossa barriga ou até das nossas costas (ninguém considera as costas né? kkkk) pode ajudar a "subir" mais o comprimento de um vestido, por exemplo.

Parece coisa besta falar sobre isso, mas muita gente tem dificuldade em compreender que espaço seu corpo ocupa no mundo e, consequentemente, na roupa que veste. O hábito de tirar as próprias medidas é quase que restrito às avaliações físicas na academia. Aliás, muitas pessoas não sabem tirar as próprias medidas e se medem com réguas e trenas! Isso dificulta muito o processo de compra online, mas mais ainda o processo de compreender os tamanhos que vestimos.

Então a tal saia longuete em mim que tenho 1,54 ficou quase longa. Mas numa pessoa de 1,70 a mesma saia fica midi. Isto significa muita confusão da hora de escolhermos comprar ou não certas peças de roupa. Muitas vezes simplesmente esquecemos de uma coisa fundamental: saia midi, longuete ou até mesmo longa, são apenas referências de tamanho, mas não necessariamente serão midi, longuete ou longa em todos os corpos. Por isso resolvi fazer um esquema bem fácil de entender: criei 3 bonecas que representam mais ou menos as proporções corporais minhas, da minha amiga Larissa e da minha amiga Luciana. Nós três formamos uma escadinha de tamanho e em cada uma de nós, a mesma saia, do mesmo comprimento, veste de formas distintas. Vejam só:

Nudez e peitinhos kkkkk

Usei como referência a medida das saias da Prosa, que são de 82cm de comprimento. Em mim ela ficou longuete quase longa kkkkk, em Larissa ficou meio midi e em Luciana ficou o que chamamos de "comprimento clássico", que é logo abaixo do joelho.

Hoje, com uma loja online ativa, com clientes que nos enviam emails com dúvidas sobre tamanhos e medidas, eu percebo a existência dessa imensa área cinza de desinformação sobre modelagem. Muita gente consome moda, mas sequer compreende o que está vestindo. Muita gente também deixa de consumir certas peças justamente por não ter essa compreensão. E isso influencia em tudo na hora de comprar ou escolher um look, porque precisamos entender um pouco de proporção para saber se o que estamos comprando/vestindo vai ter o efeito ideal no nosso corpo. E o que eu chamo de ideal pode ser qualquer efeito, inclusive o de desconstruir nossas proporções.

Sabem essa regrinha básica - e chatíssima - de que mulher baixinha não pode usar comprimentos midis? Bom, isso é assunto para as proporções. Eu acredito que qualquer comprimento de roupa pode ser usado por todo mundo, basta apenas atentarmos para a proporção que aquela roupa vai ocupar no nosso corpo e trabalhar nisso. Eu, que sou baixinha, realmente prefiro me sentir mais alongada, mas não deixo de usar roupas que "achatam" a silhueta só porque alguém disse que eu não posso. Ao invés disso, eu busco um equilíbrio entre as duas partes do corpo: tórax e pernas. Já que quero evidenciar o comprimento - inexistente kkkk - das minhas pernas, então o foco é sempre delas.


Usar blusa curtinha com comprimentos midis é SEMPRE minha primeira escolha porque, ao posicionar a cintura das roupas lá em cima, eu passo a ideia de que minhas pernas são maiores. Tem dias que eu ouso uma desconstrução nas proporções, mas realmente me sinto melhor quando percebo que estou "proporcional". É claro que isso é uma herança cultural, essa necessidade de estar dentro de um padrão, mas é também um impulso animal que a gente esquece que tem: toda a natureza é proporcional e nosso cérebro busca a proporcionalidade a todo instante, em todas as coisas. Portanto sentir-se proporcional em frente ao espelho dá uma certa "segurança" que advém da nossa necessidade de ver as coisas "no lugar".

Daí que eu comecei a falar sobre comprimentos e acabei falando sobre proporção. Queria entender como meu cérebro vai "falando, falando, falando" e depois eu me ferro pra amarrar todo o assunto num texto com nexo, princípio, meio e fim. hahahahah Aqui vai minha tentativa:

Entender sobre o comprimento das roupas (e saber que são apenas referências) é compreender a proporção das coisas (matéria que deveria ser dada no colégio). A partir do momento que nós compreendemos nosso tamanho, nossa circunferência, nosso volume, fica muito mais fácil saber se determinadas roupas vão ficar boas ou não. Eu, por exemplo, compro quase sempre SEM EXPERIMENTAR e quem vai comprar comigo se surpreende com essa informação. Eu bato o olho numa peça e já sei se ela cabe em mim ou não e acerto 99% das vezes. Mas além de eu ter uma boa noção de modelagem e tecidos (isso ajuda muito!), eu tenho uma coisa mais importante ainda: a consciência das minhas proporções. E isso a gente aprende com muita observação e fita métrica!

E aí, gente? Curtiram esse tipo de post? :)


sobre roupas e decisões

22 dezembro 2015
Falávamos sobre como a vida adulta é cheia de pequenas dificuldades e inúmeras decisões desimportantes, quando meu namorado virou pra mim e falou: "amor, sabe por que os grandes homens de negócios vestem todos os dias a mesma roupa? aquele terno, gravata e camisa branca? Pra não ter que lidar com decisões fora do trabalho." Naquele momento eu não sabia dessa informação - depois encontrei uma matéria sobre o assunto - mas foi como se uma verdade gigantescamente óbvia estivesse caindo no meu colo.

Mas como assim, vestir a mesma roupa? Vamos lá: Steve Jobs = camisa preta e calça jeans. Mark Zuckerberg = camiseta cinza e calça jeans. Karl Lagerfeld = blazer preto, camisa branca e óculos escuros. Michael Kors = blazer preto, camisa preta e calça jeans. Estes são só alguns exemplos, mas existem muitos outros. Usar sempre roupas iguais pode parecer uma falta de criatividade imensa, mas se pararmos para pensar na quantidade de coisas que podem ser transformadas na nossa vida só pelo fato de  não termos que decidir o que vestir, aí a ideia muda de figura.

1) A primeira de todas é uma óbvia assinatura de estilo. É inegável que a repetição se transforma em marca pessoal e a gente acaba sendo reconhecido por aquilo. Eu, por exemplo, uso tanta saia midi que é como se qualquer outra roupa/comprimento não fosse mais a minha cara. É como se, ao encontrarmos nossa assinatura de estilo, a gente tivesse encontrado a formulinha que dá certo e isso traz um certo conforto na alma.

2) Quando usamos sempre a mesma roupa (lavando, claro!), diminuímos muito o tempo que gastamos com tudo que envolve a manutenção de um armário com muita variedade. Economizamos tempo para escolher a roupa, para comprar algo novo, para lavar, passar e organizar o que temos. E como o tempo é algo cada vez mais valioso para nós, gastá-lo com essas pequenas decisões acaba gerando minúsculos estresses que se acumulam com o passar do tempo. Parece exagero né? Mas digo por experiência própria que já perdi as contas de quantas vezes gastei muito tempo escolhendo uma roupa, depois trocando, depois sofrendo por achar que não tinha nada pra vestir, depois saindo pra comprar algo novo pra tal festa imperdível, e aí comprei também um sapato pra combinar e quando percebi tinha torrado horas (e dinheiros!) valiosas do meu dia em busca de uma roupa que usei apenas uma vez. Acontece com todas nós.

3) Roupas iguais, armário enxuto. Por isso que a ideia do armário-cápsula está fazendo tanto sucesso. Tem coisa mais prática do que você ter apenas 37 peças de vestuário (contando sapatos!) com que se preocupar? Isso gera menos consumo, menos estresse e mais economia.

4) A partir do momento em que você decide limpar sua vida de peças supérfluas e focar em utilizar bastante tudo o que você tem, repetindo seus looks até a exaustão, você começa a optar por comprar peças de mais qualidade, mais bem acabadas, melhores tecidos, por que sabe que o preço vai compensar a durabilidade daquele item e assim você vai parar de comprar blusinha de quinta categoria na fast-fashion mais próxima.

Resumindo: você economiza tempo, dinheiro e paciência.

Mas aí a gente pensa: poxa, vestir sempre a mesma coisa? Que boring! Até parece falta de criatividade! Mas, como profissional criativa, que sempre trabalhei nessa área, eu posso afirmar uma coisa pra vocês: criatividade demanda tempo, não brota em árvore, dá trabalho e, por isso, às vezes é importante ter um "setlist" de looks repetidos para nos salvar de um dilema que, na real, não precisaríamos ter. É claro que isso não quer dizer que você vai deixar de ser fashionista e virar molambenta (apesar de você poder fazer isso, se quiser) e sim que você vai selecionar BEM melhor tudo que entra no seu armário pra não ter crises de indecisão.

Longe de mim querer me comparar a Steve Jobs, né gente...mas quando eu resolvi adotar um estilo mais "minimalista", foi pensando em simplificar minha existência fashion e diminuir a quantidade de roupas (e decisões!) que acumulo. Explico: sou libriana e, por mais que pareça ridículo, acredito muito que minha personalidade é incrivelmente regida pela minha conjuntura astral cada um com suas crenças. kkkkkkk. E por ser libriana, tomar decisões pessoais (minhas decisões profissionais são regidas pelo meu ascendente em capricórnio! kkkkkk) é tipo o pior pesadelo da minha vida. Cardápios de restaurante são como maçaricos queimando meus olhos. O pavor é tanto que eu paraliso diante de decisões ridículas como "comer sorvete de tapioca ou pistache?" Por esses motivos, me vestir também se tornou uma fonte enorme de angústias, além de muito tempo gasto trocando de roupa, odiando, desistindo.

O fato de ter um blog onde exponho o que visto também não ajuda muito nesse processo de decisões fashion porque, de alguma forma, eu me sinto na missão de trazer ideias legais pras minhas leitoras, looks inspiradores, ousados, arrebatadores (na medida do possível da minha realidade financeira kkkk) e nem sempre um basiquinho é meu ideal de inspiração. Na verdade o basiquinho, normcore, minimalista está longe de ser o tipo de "moda" que faz meu coração bater mais forte, mas foi esse o caminho que eu encontrei para economizar tempo e angústias na minha vida. E, apesar de não ser o estilo que faz meus olhos cintilarem, é com certeza o que mais me tem feito feliz.


Fotos: mamain <3

Então, para ilustrar todo esse blá blá blá, aqui está um dos looks que mais tenho usado nos últimos tempos: blusa ciganinha e calça cropped. Tenho apostado muito em peças básicas e como raramente encontro algo legal, fresquinho, sem ser poliéster, eu mesma criei uma série de peças assim para a Prosa. Tô chegando no nível de consumo que sempre sonhei: aquele em que eu mesma mando produzir minha roupa. hahahahah

Mesmo com o calor intenso do Rio de Janeiro, ainda não consegui parar de usar preto o tempo todo. Já falei pra vocês que essa é a minha ~cor da segurança~ né? Então como estou numa fase mais introspectiva da minha vida, questionando tudo, pensando mil coisas (mas sem decidir nada, óbvio hahaha), o preto tem sido meu "manto da invisibilidade" #harrypotterdetected e eu me sinto verdadeiramente forte usando essa cor.

Gente, que papo de louco foi esse? Steve Jobs, astros, decisões? Comecei falando de uma coisa, terminei falando de outra. Tenho passado tanto tempo sem escrever aqui que estou perdendo a capacidade de concatenar ideias! Me perdoem. :P


Blusa: Prosa, R$ 119 aqui | Calça Cropped: Prosa, R$ 159 | Tênis: Adidas Stan Smith, presente da marca | Colar e Pulseiras: Mercado Bossa | Relógio: Cluse Watches | Óculos: Loucos por Óculos, R$ 110 | Bolsa: presente da irmã | Batom: um mega velho da L'Oréal Paris.


All About Iris

28 outubro 2015
Ela de novo. Há tempos escrevi um texto sobre Iris Apfel aqui no blog, mas esta mulher é um assunto que não me enjoa e sempre alimenta meu pensamento crítico e olhar sobre a moda e por isso ela está de volta a esta casa. :)

Dia desses assisti a um documentário intitulado IRIS, um material sobre a vida de Iris Apfel e sua importância no cenário da moda atual. Aos 94 anos, Iris Apfel é uma lúcida "estrela geriátrica" americana que sempre foi conhecida por lá como uma referência do design de interiores. Iris é uma empresária que, junto com o marido, montou uma fábrica de tecidos tão diferente do que existia no mercado, que assinou a decoração 9 restaurações da Casa Branca. Ela se aposentou aos 84 anos quando vendeu a companhia e, como toda sua vida social estava ligada ao trabalho, encontrou-se num certo marasmo em plena velhice.

Mas a vida de Iris mudou drasticamente quando o MET descobriu que a americana possuía um dos maiores acervos de roupas e acessórios vintage do mundo. Assim nasceu a Rara Avis, a primeira exposição do MET Museum sobre uma única pessoa (e viva!). A própria Iris Apfel escolheu as peças que seriam expostas e montou os looks. Foi um dos maiores sucessos do museu e a empresária se transformou num ícone de moda instantâneo para quem não a conhecia de outros carnavais.


Na última década Iris Apfel foi capa de inúmeras revistas, garota propaganda de marcas famosas como MAC e Kate Spade e é sempre figura certa nas semanas de moda. Como, aos 94 anos, ela consegue ter uma vida tão agitada? Ninguém compreende,  mas segundo ela, quando envelhecemos precisamos fazer um esforço ainda maior para não nos "desfragmentarmos". Precisamos ocupar a cabeça e manter o corpo funcionando por que envelhecer não é para covardes. O fato é que o documentário sobre Iris me ensinou muitas lições bem valiosas e estas são só algumas:

Mais importante do que estar bem vestida, é ser feliz. Como uma verdadeira entusiasta da criatividade e de tudo que é único e diferente, Iris nos lembra constantemente que a moda (e a vida) são eternas experiências e que é preciso manter aquele brilho infantil da imaginação a todo custo e não se levar tão a sério afinal, como a própria diz, "Coisas como a nossa saúde é que são verdadeiramente importantes. A moda não tira o meu sono".

Manter os pés no chão é o que te mantém conectada com a realidade. Apesar de hoje ser uma riquíssima aposentada, Iris continua mantendo seus hábitos de adolescente que viveu durante a Grande Depressão de 1930 que devastou a economia americana: garimpa roupas e acessórios em lojinhas de subúrbio em Nova York, compra peças vintage em feiras e brechós de rua e barganha tudo, por que né, dinheiro não dá em árvore.

Trabalhar com o que amamos é ter sorte. Iris é uma excelente compradora e usou esse talento nato para crescer na sua profissão como designer de interiores. Ela transformou sua vida numa grande viagem de garimpos, encontrando pelo mundo peças raras, obras desconhecidas, tecidos especiais e, claro, roupas. Iris é uma colecionadora e possui tantas peças de roupas e acessórios, que tem todo esse acervo espalhado entre suas duas casas, um depósito e museus.

Quando não somos "bonitas", direcionamos nossa personalidade para outras áreas. E bonito é uma questão de perspectiva. Iris fala com muita certeza: "Nunca fui bonita. Nem quando era jovem, nem quando casei. Mas nunca me importei com isso." Quando uma mulher não nasce bonita ela busca outras formas de beleza, seja através do seu intelecto, da sua criatividade ou mesmo das suas roupas. Para Iris, a beleza pode acomodar e ela gosta do que é diferente.

Você não precisa seguir roteiros. E Iris foi expert em  driblar todas as expectativas que a sociedade faz de uma mulher (ainda mais sendo nascida quase um século atrás). Iris é uma mulher contemporânea, sem os preconceitos das mentes pequenas e simplesmente viveu sua vida como quis, sem interferências machistas de como seu comportamento deveria ser. Apesar do seu longo casamento de 63 anos (seu marido Carl morreu aos 100 anos), Iris nunca quis ter filhos. "É o que se espera de qualquer mulher, mas eu não gosto de ser enquadrada em protocolos." Segundo a fashionista, ter filhos é abrir mão de algumas coisas que, para ela eram fundamentais (como sua liberdade, suas viagens constantes) e, como tudo na vida, é preciso ceder em alguma coisa. Ela preferiu viver uma vida efervescente, criativa, aventureira, fora do comum, do que ter que cuidar de filhos. E eu achei inspirador e louvável, principalmente por que nessa jornada Iris nunca esteve só: seu marido sempre foi seu maior admirador, incentivador, parceiro e amigo e a falta de filhos nunca afetou o humor contagiante do casal.

Por fim, o que vemos no documentário é a história de uma mulher cujo poder e influência emanam de toda a criatividade, inventividade e glamour que ela externaliza em forma de roupas e acessórios exóticos. Uma mente instigante dentro de um enérgico corpo de 94 anos. Uma inspiração de vida que desperta um anseio enorme de sermos únicas, individuais e extremamente fiéis ao que somos.

Mix de estampas para todos os níveis

15 outubro 2015

O vídeo não está com grande qualidade, o som não é uma maravilha, a edição não é um primor, mas eu juro que é de coração! hahahaha Está no ar mais um videozinho caseiro/tosquinho feito para vocês! <3 Como vocês sabem, eu sou a louca do mix de estampas. Mesmo nesta minha fase mais minimalista, não dispenso um bom look estampado e resolvi fazer um vídeo com 3 sugestões de mix para facilitar a vida de quem não sabe/consegue/tem coragem de sair misturando tudo. Já fiz alguns posts sobre mix de estampas aqui no blog, mas é muito mais emocionante ver em movimento né? #carolyoutuber




O vídeo é curtinho, como sempre, mas vale a pena vocês assistirem e, sim, fazerem isso em casa. hehehe


beijos carols

Empreender em moda: a realidade por trás da palavra mágica

15 julho 2015
Empreendedorismo: substantivo masculino. 1) disposição ou capacidade de idealizar, coordenar e realizar projetos, serviços, negócios. 2) inciativa de implementar novos negócios ou mudanças em empresas já existentes, ger. com alterações que envolvem inovação e riscos. Palavra mágica do século 21.

Há tempos eu queria trazer este assunto ao blog, mas por ser uma "conversa" demorada, sempre fui deixando para depois. Dia desses eu e outras garotas envolvidas com moda, fomos convidadas pelo Senac Rio para participar de um debate sobre empreendedorismo no mundo da moda. Nós seríamos os "exemplos" de jovens que resolveram entrar no mundo mágico da carreira a solo, na estrada da liberdade e do sucesso. O que o evento queria propor era justamente uma troca de experiências, uma conversa para debater as dores e as delícias de se empreender na área de moda. Mas independente da área, ~empreender~ virou o grande must-do da nossa geração, tão ávida por tomar as rédeas da própria existência. Todo mundo, de repente, quer largar tudo e trabalhar com o que ama.

Por isso resolvi vir aqui, compartilhar com vocês minha nova vida de "empreendedora", dona de um pequeno e-commerce de moda e mostrar a realidade do jeitinho que ela é, desvendando os mitos e verdades desse universo paralelo. (e isso serve para qualquer tipo de negócio, mas eu vou falar sobre moda, ok?)

SONHO X REALIDADE

A primeira análise de todas para quem vai empreender é identificar exatamente o que é um possível delírio seu, do que é a realidade. Eu quis trabalhar com estampas, mas como não tinha experiência, não ia conseguir entrar com facilidade no disputadíssimo mercado da estamparia, então eu mesma cavei minha oportunidade e criei uma marca cujo foco é a estamparia aplicada a roupas simples e descomplicadas. Porém delirei quando achei que minha vida seria recheada de inspirações, arte, pintura. Delirei quando achei que ia fazer estampas todos os dias, desenhar roupas, ter tempo para criar, pensar em modelos e ver tudo isso concretizado em tempo recorde. Na verdade eu faço tudo, menos estampas e essa é a parte mais frustrante de todas.



 O sonho: desenhar estampas. A realidade: carregar sacola de tecido.

Criar estampas ocupa cerca de 10% do meu tempo de trabalho na Prosa e os outros 90% são tudo o que eu tenho que fazer para essa estampa chegar à casa do cliente: escolher o tema da coleção, os tipos de tecidos e impressões, os aviamentos, fazer pagamentos, contactar fornecedores, mandar modelar, pilotar, cortar, costurar, conferir acabamentos, passar roupas, ensacar produtos, embalar pedidos, etiquetar caixas, fotografar produtos, tratar as fotos, fazer newsletters, alimentar as redes sociais, responder emails, carregar MUITAS sacolas de pano, de corte, de moldes, de amostras, entre outras besteiras pelo meio do caminho. A menos que você seja uma pessoa muito organizada (não é o meu caso), com uma sócia/equipe que consiga suprir justamente o que te falta (não é o meu caso), com uma grana sem fim para investir (não é o meu caso) e um plano de negócios super estruturado (não é o meu caso), em geral o tão sonhado sonho de só fazer estampas, é um delírio que passa bem rápido. Nem entrei no mérito das questões burocráticas de ter uma marca funcionando, como CNPJ, alvarás, contadores, de encontrar mão de obra qualificada e sem exploração, de trabalhar com gente honesta e cada vez mais rara, etc, etc.

COMPLEXO DE SHIVA

Vocês já ouviram falar em Shiva? Shiva (deus da destruição e regeneração) é um dos deuses hindus que compõe a "santíssima Trindade" do hinduísmo, junto com Brahma (deus da criação) e Vishnu (deus da preservação). Esse papo todo é só para ilustrar o que quero dizer. Shiva é um deus de 4 braços, responsável por gerar fortes transformações físicas e emocionais. E a figura dele traduz muito bem o que acontece com nosso corpo quando resolvemos empreender.



Depois que você identifica que o que você MAIS ama fazer é o que você MENOS faz, você descobre que, para empreender você PRECISA saber fazer um monte de coisas. E o que não souber, você PRECISA APRENDER. Não tem pra onde. Pra quem está começando, como eu, que trabalho sozinha ou com a mamis, é impossível ter $$ para pagar uma equipe. No mundo dos sonhos você vai encontrar uma super equipe de sócios, cada um com sua especialidade, e vocês serão felizes para sempre. No mundo real, quanto mais sócios, mais gente para dividir o bolo miserável que money que vai entrar na empresa. Isso significa que: caso você more na casa dos seus pais ou dependa de alguém, é ok dividir o money. Caso você seja sozinha no mundo, tenha um teto e contas para pagar (meu caso), cada centavo conta e você não pode se dar ao luxo de contratar alguém pra dividir "o bolo". Você vai ter que transformar seu corpo e sua mente para dar conta de tudo. Isso é o complexo de Shiva (que eu acabei de inventar). Você vai ter que cumprir mais tarefas do que consegue e toda a destruição física que você vai sentir, vai te trazer uma força regeneradora, uma certeza de que, se você não é um deus, você está perto disso...algo tipo McGyver. Há males que vêm para o ótimo.

Eu sempre fui criativa, sempre trabalhei com criação e nunca saí dessa área. Se por um lado eu tenho uma desenvoltura para orquestrar o visual da minha marca, das minhas estampas, por outro lado eu sofro para concretizar essas criações. Sofro para tirar as ideias do papel. Dentro de uma agência de publicidade, esse papel é do produtor. Esse ser humano maravilhoso que executa o que você imagina. Na moda essa mesma função existe e eu fui obrigada a aprender na tapa e no choro. Hoje, além de criar as estampas, eu tenho que entender minimamente de corte e costura para poder tocar a produção das roupas. Tenho que saber pedir que tipo de bainha eu quero, se quero o corte em viés, em godê ou reto. Quanto de pano cada peça gasta, se vale a pena produzir ou não certas peças. Tenho que entender de tecidos, composições, caimento, tipos de impressão. É um universo totalmente novo pra mim e, confesso, angustiante. Por que não é fácil encontrar fornecedor para cada coisinha que você quer fazer. Aí falta tecido. Aí a outra não costura malha. Aí fulano não te entrega a impressão. Aí o prazo já foi pras cucuias. E assim você vê uma estampa que leva um dia pra ser feita, demorar 6 meses pra ser vendida. 

A PACIÊNCIA É UMA VIRTUDE NECESSIDADE



Depois que você virou multitask, deusa da destruição, mata na unha todos os perrengues, desenrolada os paranauê mais cascudos, você enfrenta o mais desesperador dos desafios: o tempo. E pro tempo não existem deuses. Criar uma coleção é lindo. Vê-la pronta é um sufoco e é preciso ter uma paciência budista para aceitar que seu tecido não vai ser impresso em menos de 30 dias. Que sua costureira não vai entregar as peças em menos de 2 semanas. Que sua modelagem não vai ficar pronta em 1 dia. Que sua micro-empresa não vai te dar um lucro maravilhoso em 1 ano. Que sua conta bancária não vai ficar positiva por um bom tempo. Para tudo isso é preciso exercitar diariamente a paciência. Eu já perdi as contas de quantas vezes me descabelei por não ter produto em pleno dezembro por que o fornecedor não entregou os tecidos, por perder timing de lançar coleção, por ver costureira LITERALMENTE f*dendo uma produção inteira e perder essa produção e não ter $$ para reinvestir. E eu só tenho 1 ano de loja Prosa. Até todos os ponteiros estarem acertados, até você encontrar uma equipe terceirizada (por que eu não posso contratar, rs) que seja incrível e comprometida, é um osso duríssimo de roer. Nem todo mundo tem dentes para aguentar e cada vez que você pensar em empreender, você tem que se questionar se você tem estrutura maxilar para aguentar o tranco.

AGORA SIM, VOU FAZER MODA!

Aí você chuta o pau da barraca, se joga no mundo e decide "criar moda". A verdade é que o mundo (e o Rio de Janeiro especificamente) está cheio de gente querendo "criar moda". Mas tudo isso que a gente vende é roupa, um artigo tão necessário e ao mesmo tempo tão supérfluo, por que tudo já foi inventado e ninguém mais precisa de roupa. Então empreender num negócio de moda é saber que você vai ter que encontrar algum diferencial muito f*da para oferecer aos seus clientes. Seja experiência de marca, seja qualidade absurda do produto, seja exclusividade extrema, seja preço, não importa. 46% das pequenas empresas de moda no mundo fecham suas portas no primeiro ano de funcionamento não por falta de estrutura, investimento, ou qualidade nos produtos/serviços, mas por falta de DIFERENCIAL. É um percentual muito alto e é esmagador tentar sobreviver nesse cenário. Quando eu criei a Prosa eu só queria um plano b para a minha vida, uma válvula de escape para fazer um trabalho mais pessoal e intuitivo, mas não sabia bem o que eu ia vender, além de estampas. Aos poucos eu fui encontrando um caminho e entendi que precisava vender histórias em cada estampa. Sempre gostei de escrever, então encontrei no design de estamparia uma forma de criar outros tipos de texto. Mas até encontrar esse ponto, eu sofri com a completa falta de rumo, me achei incapaz, incompetente e frustrada. Em tempos de fast-fashion e produção alucinante, é um diferencial vender algo tão pessoal. Ainda que seja...roupa.

BÚSSOLAS DESGOVERNADAS

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Empreender é como descer um rio agitado: você até pode saber nadar, mas a correnteza te desgoverna de um jeito, que você começa a perder a fé no rumo e em si mesmo. Quantos % você acha que a Prosa vai crescer nos próximos anos? Não sei. Quanto você coloca de margem de lucro nos seus produtos? Não sei. Quanto de prejuízo você tem em cada coleção? Não sei. Vou fazendo tudo na intuição e aprendendo com as quedas, por que nasci sem bússola. Mas caso você seja um ser humano iluminado, planeje bem sua marca antes de lançar. Não faça como eu, que em 5 meses larguei meu emprego pra viver de "estampas" e estou aqui escrevendo esta epopéia dramática. hahahahaha Mas que fique claro: nem tudo também são espinhos, afinal eu estou escrevendo este texto no meio do "expediente".  :D

SENTA E CHORA



 Puxa uma cadeira e senta comigo.


Empreender parece lindo e audacioso, principalmente quando você tem uma fonte de renda fixa pagando suas contas (seja um emprego em paralelo ou a família ajudando) ou pode empreender fora do expediente, como se fosse um ~projeto pessoal~ super bacana. Mas quando o empreendimento vira seu ganha pão, senta e chora. Chora comigo, por que eu já chorei muitas noites. E acordei chorando outras tantas manhãs. E muitos cabelos caíram. Por que é tão mais fácil ser diretora de arte, um trabalho que eu fazia há 10 anos, que sentava na mesa e sabia o que fazer, que cada departamento cuidava de uma coisa, que o caos era de certa forma organizado...mas não. Empreendedores escolhem caminhos difíceis e nem sempre é por coragem ou talento. Às vezes é por necessidade. Mesmo quem tem todo o apoio familiar, come o pão que o demo amassou pra ver seu negócio decolar. Mas acredito que, quem não tem esse apoio, tem mais tendência a cair em desespero, por que não sabe como vai pagar o aluguel mês que vem. E aí entra outra questão importante:

MAS O DINHEIRO É MEU!



A gente sempre pensa que, quando trabalha feito um condenado num emprego qualquer, estamos promovendo apenas a riqueza alheia, enchendo os bolsos dos chefes. Trabalhar para si mesmo é ter a certeza que todo seu esforço de horas extras e noites sem dormir, vai reverter em dilmas nas nossas carteiras. Ledo engano. Vou jogar a real: minha costureira ganha mais do que eu. Por que todo o dinheiro que entra na Prosa, vira conta pra pagar, tecido pra comprar, alvará dos infernos, imposto de não sei o quê,  impressão de tecido jogada fora. E todo mês é preciso apertar o cinto financeiro por que pode ser que mês que vem não venda bem e aí as contas continuam chegando e a máquina não pode parar. Então, desde que larguei o emprego em agosto de 2014, eu não sei mais o que é ter dinheiro na carteira. Continuo sem ganhar hora extra, mas agora, em vez de um salário fixo bonitinho caindo na minha conta, eu tenho uma incerteza constante roendo meu fígado.

COMO É BOM TER ALPISTE

Esta foi uma das tirinhas mais legais que vi nos últimos tempos. Empreender é uma palavra mágica, que tem feito muita gente correr em busca da sua liberdade, mas a realidade joga duro: ter alpiste todo dia é bom demais. Nada compra sua liberdade de escolha, seu futuro não tem preço e empreender pode ser uma grande aventura em busca de si mesmo. Mas também poucas coisas na vida são tão tranquilizadoras como ter um salário bacana todo mês, um plano de saúde pago pela empresa, férias remuneradas, domingos e feriados e um décimo terceiro brilhante para chamar de seu.

Quem empreende tem que ter uma certeza em mente: acabou a mamata. Se por um lado você pode se dar ao luxo de acordar às 10 da manhã pra trabalhar e pode até arriscar ir pro Starbucks fazer estampa naquele 10% de tempo, por outro você não sabe quando vai tirar férias novamente, se terá $$ pra continuar pagando o plano de saúde. Muito menos você poderá contar com seguro-desemprego, ticket alimentação e vale-transporte. Adoecer? Esquece. E se você precisar contratar alguém, você vai ter tantos encargos fiscais, que vai entender (em partes) por que é que uma empresa suga o máximo que puder do trabalhador. Nem o aluguel que você pagava numa boa quando tinha salário fixo, vai ser pago "numa boa" depois que você vê a dificuldade que sua empresa tem para conseguir aquele dinheiro. Tudo toma uma dimensão completamente nova e seu relacionamento com o valor do dinheiro e, principalmente, do trabalho, muda drasticamente. Shiva agindo.

ONLY THE BRAVE?

Não, empreender não é só para os corajosos. Empreender é para os que estão de saco cheio e querem um caminho alternativo também. Empreender é para quem, como eu, queria mudar de área, mas não podia ser estagiária novamente numa profissão nova, por que tinha contas para pagar. Empreender é para quem precisa inventar um novo caminho para si mesmo a todo custo. O caminho pode até não ser definitivo, mas muitas vezes é necessário. Apesar de ter crescido entre rolos de tecido e gostar de moda, eu caí de paraquedas numa área que eu não domino. A coragem não precisa ser um traço da sua personalidade (meu caso, já que não me considero corajosa), mas precisa BROTAR a qualquer custo, se você quiser continuar em pé.

VOLTANDO ATRÁS

Depois de toda essa saga vocês acham que eu voltaria atrás na minha decisão?

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SIM. Não por arrependimento, mas por que uma das principais características de quem quer empreender é não ter apego ao negócio. Tentou pra cacete, se matou de trabalhar e não deu certo? Começa de novo, outro caminho, sem choro, empreender é arriscar. Abre suas próprias portas e vai, ou volta. Qual o problema? Eu voltaria a trabalhar com propaganda, voltaria a trabalhar em agência, se acreditasse na filosofia da empresa. Não tenho o menor problema em mudar de caminho quantas vezes forem necessárias para que eu seja feliz. Não é a moda ou a estamparia ou a criação publicitária que definem meus passos profissionais, é o quanto aquele projeto me desafia e fascina. Portanto, se hoje a Prosa falisse, eu ia continuar minha vida tranquila e calma por que, apesar de chorar tantas noites, meu desespero é passageiro e eu sou motorista dessa locomotiva. (piada infame! hahaha).

MAS EMPREENDER VALE A PENA?

Por fim, o que tenho a dizer é: empreender vale a pena. Nem que seja pra você sair da sua zona de conforto por um tempo e aprender coisas novas. Acho que foi um importante passo de amadurecimento pra mim. O fracasso é garantido, mas o sucesso só acontece para os que tentam e é inevitável para os que persistem e sabem o trabalho que estão desenvolvendo. Daqui a uns anos eu espero olhar para trás e dar risada deste texto. Espero escrever sobre como toda a glória valeu cada lágrima. Mas mesmo que o sucesso estrondoso não aconteça, mesmo que eu não atinja o conforto financeiro, eu mudei meu caminho e fui atrás da felicidade. E ela pode nem estar aqui, nessa vida de empreendedora de moda, mas foi aqui que eu comecei a buscá-la e é isso que importa.

Espero que vocês tenham gostado do mega-texto de hoje. hehehe Foi cansativo ou de boa? Caso vocês tenham mais dúvidas, coloquem aqui nos comentários, que eu tentarei fazer um vídeo mais completo! O que acham? :D

Beijos, Carols

5 passos para começar a transformar seu estilo

28 junho 2015
Falei dia desses aqui no blog sobre meu momento de abstinência fashion. Por N motivos eu me afastei um pouco do prazer de me vestir, de escolher um look, de fotografar e compartilhar por aqui. Pode ser a tal crise pré-30 anos, ou o amor que bateu na porta e me fez esquecer outras coisas que me preenchiam, mas o fato é que ainda não consigo lidar com a angústia que eu sinto cada vez que abro o guarda-roupa! Isso significa que eu saí do armário (kkkkk), mas estou pelada. Estou totalmente desprovida de uma imagem externa que combine com meu momento interior. Por isso resolvi fazer uma terapia fashion comigo mesma e explorei o Pinterest em busca de coisas que me despertassem um desejo imenso de vestir.

Acabei criando uma avaliação mental não só das coisas que quero usar, como também das que não quero mais ver na minha frente, por não fazerem mais parte do universo de coisas que traduzem o que eu sou. O resultado foi um moodboard de looks, uma paleta de cores e uma lista de coisas que eu vou manter, excluir ou adicionar ao meu armário. Quem sabe assim eu consigo selecionar melhor o que eu consumo. Vejam os 5 passos que eu usei para começar a transformar meu estilo:



1) BUSCAR REFERÊNCIAS


Preciso nem comentar minha paixão por saia midi né? Mas confesso que, além da praticidade, elegância e conforto, a saia midi me oferece um descanso psicológico meio imbecil: eu não me preocupo se tem celulite aparecendo nas minhas coxas. HAHAHA Eu sei, o motivo é idiota e a gente tem que aceitar nosso corpo e bla bla bla, mas celulite não é corpo, é adereço involuntário, e eu não aceito! hehehehe

Eu fiz um moodboard bem simples, com poucas ideias de looks que eu gostaria de usar, mas isso também faz parte de um processo que pretendo começar em breve: reduzir drasticamente a quantidade de roupas do meu armário. Inclusive vou montar uma lista de itens "essenciais" (para mim, claro) e compartilhar com vocês aqui no blog, caso alguém queira fazer uma detox fashion. \o/

Usei Pinterest para navegar pelos boards das amigas. Seguir designers e ilustradoras é uma ótima fonte para encontrar coisas lindas e fora do comum. heheheh Como eu queria looks nessa ~vibe~  sou-designer-sou-da-moda, o pinterest foi um prato cheio de boas referências. Depois de selecionar 10 looks que eu amei, parti para a próxima etapa: identificar, no meu armário, o que eu deveria manter.



2) DEFINIR O QUE FICA


Então, o que eu fiz foi identificar as peças que eu realmente tenho apreço e gosto de vestir, seja por questão de estilo ou conforto. A saia midi está no meu top 3 peças-que-ficam e eu vou fazer uma verdadeira busca de brechó para encontrar mais modelos, já que tenho poucas no armário. Vou aproveitar para me livrar de várias saias curtas nesse processo! A segunda peça que eu mais tenho e amo são os tênis. Eu realmente não aguento mais usar salto alto por conta do meu joelho operado e essa parceria com a Adidas caiu como uma luva no meu momento. Então, além de ter vários tênis, cada dia eu encontro mais formas de adaptar um item tão esportivo, a qualquer tipo de look. :D Por último, as jaquetas tipo bomber! Paixão eterna, amor verdadeiro. Tenho várias jaquetas nesse modelo e acho bem versátil. Cumprem o mesmo papel dos tênis.





3) DEFINIR O QUE ENTRA


Até nas peças que eu desejo que entrem no meu armário, eu fui econômica. Tudo isso para simplificar e economizar na hora que eu for investir nesses itens. Selecionei 6 tipos de peças/estilos que estou desejando muito:

1) Calças de alfaiataria ou com uma pegada mais retrô, cintura alta, vincadas, com tecidos cintilantes. Quero muito e fica lindo usando com tênis. Juro!

2) Contrastes! Apesar de eu usar mix de estampas, meu armário quase todo é feito de peças pretas, brancas e verdes. Ou seja, BORING. Então acho que eu deveria apostar em usar mais constrastes nos meus looks.

3) Estampas inusitadas: essa foi uma decisão pra vida! Ou eu compro uma peça com uma estampa super diferente/interessante, ou não compro at all. Tenho várias roupas estampadas que nunca uso por que nenhuma delas tem aquele je ne sais quoi que faz o coração bater mais forte.

4) Volume. Quero peças estruturadas, impactantes, retas, volumosas. Quero, quero, quero.

5) Transparências: comprei uma camiseta que tem transparência e desde então estou aficcionada por qualquer coisa que cobre-mas-revela. Tem me inspirado muito! Se for transparência com volume então, é amor.

6) Macacões: taí uma coisa que eu não esperava desejar tão cedo na vida, por que não acho prático ter que ficar pelada pra ir ao banheiro, mas é inegavelmente uma peça elegante e, na modelagem certa, faz milagres.





4) DESAPEGAR


A parte mais dolorosa da busca por um guarda-roupa mais eficiente é, com certeza, o desapego. Qualquer consultora de estilo vai poder confirmar pra vocês o quanto as clientes sofrem para desapegar de algumas coisas do armário. Mas eu confesso: tô tão p*ta da vida com minhas roupas, que não vejo a hora de me livrar de tudo. Inclusive vou repensar o tamanho do meu guarda-roupa, que é giga! Talvez garimpar um menor para caber menos coisas e me obrigar a enxugar de vez minhas tralhas.

O fato é que tem coisas que eu não quero mais ver na minha frente tão cedo:

1) salto alto. Amo de paixão, quero usar todos os dias com vários looks, mas infelizmente a dor e o sofrimento que eu sinto por conta dos joelhos não compensa a beleza. Vou ter que abrir mão dessa paixão por questão de saúde mesmo.

2) Calça jeans: vocês com certeza já perceberam que eu raramente uso calça jeans aqui no blog, né? Na verdade eu tenho umas 4 calças que mal uso, por que não curto me ver de calça jeans. Eu era bem viciada e tinha vários pares, mas comecei a ter alergias na pele (da bunda, juro! kkkk) por conta do calor que o jeans faz e uma dermatologista falou pra eu usar mais saias e deixar a pele respirar. Foi assim que eu abandonei as calças. Item fora!

3) Paetês: foi-se o tempo em que eu usava paetês ao meio-dia. Meu armário parecia um globo estroboscópico e eu tô meio cansadjénha desse gliter todo.

4) Maxicolares de pedrarias: chega. Já deu. Num-guento-mais.

5) Vestidos e saias longas: parei com isso também, principalmente por que eu ando de transporte público e subir num ônibus ou descer numa escada de metrô com saia longa, pode ser uma manobra perigosa.

6) Shortinho jeans rasgadinho num look boho-coachella-hipster...zzZZZzzZz apenas.





5) DEFINIR SUAS CORES


Por fim, depois de identificar tudo o que eu quero/não quero, eu defini uma paleta de cores bem outono, que são as cores que eu acho que mais combinam com meu tom de pele ou com as quais eu me sinto mais confortável. Tenho muitas peças vinho e verde-musgo no armário, mas quero começar a investir em tons mais abertos, porém com fundo terroso: amarelos mostarda, laranjas, vermelhos-alaranjados e rosas fortes, para dar um toque de cor!

Ufa! Não foi tão complicado assim! Depois de definir mais ou menos meu "futuro fashion", vou criar uma checklist de verdade e com ela vou organizar meu tão sonhado guarda-roupa funcional. (compartilharei esse documento aqui no blog! hehehe)

Gostaram do post? Espero que sirva de inspiração para quem quer dar um tapa na imagem pessoal, mas não tem $$ para pagar uma consultoria de estilo. Às vezes uma auto-análise assim, basiquinha, já ajuda a gente a comprar com mais consciência! :D

Beijos, Carols

Cabides vazios

18 junho 2015

Eu ainda estou tentando entender o que está acontecendo, mas por mais que eu invente desculpas diversas, nenhuma me parece apropriada para o meu momento, digamos, apático da minha vida fashion. A verdade é que ando sem aquela vontade incrível de escolher um look do dia, de montar uma produção maravilhosa, de sair de casa abalando quarteirões. Poderia dizer que é preguiça, falta de motivação, falta de tempo, ausência de criatividade...inclusive pode até ser isso tudo junto, mas acredito que meu celibato momentâneo com a moda pode ter outras razões mais profundas.


Sou uma pessoa que defende com unhas e dentes que a nossa forma de vestir é uma extensão da nossa personalidade, do nosso momento, do que sentimos. E por isso acredito que minha vontade de ~arrasar~ anda tão em baixa, por que estou passando por um momento de recolhimento agudo no qual estou sendo preenchida por tantas outras coisas, que mal sobra tempo para pensar no que vestir. É que eu estou num desses pontos de transição em que a gente começa a reavaliar a vida, as vontades, as prioridades, todos os questionamentos pré-30 anos. Essa introspecção toda, essa viagem ao centro do ~umbigo~ vem acompanhada de vontades diferentes: talvez mudar para um lugar mais tranquilo, talvez desapegar de quase todas as coisas que tenho (por que estou angustiada com a quantidade de inutilidades que acumulo), talvez ter uma vida que caiba dentro de uma mala, talvez transformar a minha marca numa experiência mais livre e artística possível, talvez me ausentar um pouco das redes sociais que tanto ocupam nosso tempo e quase nunca enriquecem nossa existência, talvez passar mais tempo em silêncio, talvez dormir mais cedo, talvez voltar a estudar. Talvez. E com tantas incertezas, não saber o que vestir me parece ser o menor dos problemas.


Seja qual for o motivo dessa minha hibernação fashion, é bem verdade que, o fato de hoje eu ter que pensar/ver referências/criar 24h por dia estampas e modelos de roupa, tem feito com que meu guarda-roupa pareça o lugar mais desinteressante da face da terra. É como se eu abrisse as portas de uma casa vazia, cheia de cabides vazios, onde não me encontro mais ali dentro. Me pergunto se todo mundo que adora moda passa por um momento desses.


Mas o que eu posso fazer para reverter esse quadro estranho, que tem me feito sair de casa de chinelo havaiana (coisa que eu jamais pensaria em usar fora da praia)? Acho que vou pensar em mim como uma coleção, fazer brainstorm do que eu sou, criar meu conceito, exercitar possibilidades, analisar meus pontos fortes e fracos, montar um mural de novas inspirações, cores, estampas, desejos e, quem sabe, encontrar uma nova Carolina para compartilhar por aqui. :)


Beijos, Carols

(Very) Slow Fashion

26 maio 2015
Dia desses dei uma entrevista para uma aluna da PUC, sobre o processo criativo da Prosa e resolvi compartilhar aqui o teor da conversa, já que muitas de vocês gostam de posts mais aprofundados sobre o tema moda. O assunto foi Slow Fashion, um conceito que vem ganhando cada vez mais adeptos no mundo de quem cria e produz moda. Para contextualizar vocês, slow fashion é um termo que, como o próprio nome indica, corresponde a um movimento de desaceleração da moda, a busca de uma moda mais lenta, digamos assim, que se opõe ao conceito e fast-fashion que nós conhecemos tão bem. Ronaldo Fraga é um dos estilistas brasileiros que aderiu a essa forma de trabalho, mas na Europa o conceito de slow fashion já é bem mais difundido que no Brasil e muitos designers ganham o pão nosso de cada dia sem precisar entrar na loucura de um mercado ansioso.

A ideia principal é de que o processo criativo deve respeitar algumas características que deveriam ser essenciais à produção de uma moda com qualidade: valorização da mão de obra artesanal, o uso de materiais naturais e recursos sustentáveis, a migração da produção industrial em larga escala, para a confecção em pequenos ateliês, enfim, a humanização do processo de produção como um todo, visando uma produção mais consciente e com muito mais qualidade. Se por um lado o custo dessa produção é dispendioso e gera produtos mais caros para o consumidor, por outro estes produtos são mais duráveis e chegam ao mercado com uma qualidade infinitamente superior, além de serem produtos feitos com carinho e o maior respeito pelos profissionais envolvidos.

Eu acredito que o Slow Fashion é um movimento urgente e necessário para dar fôlego a uma indústria ultra-saturada, frenética, consumista, que está beirando o colapso nervoso. Eu mesma já parei de prestar atenção a todas as coleções que entram nas lojas a uma velocidade que nem meus olhos nem meu bolso conseguem acompanhar. Com cada vez menos tempo para criar, modelar, pilotar, costurar uma coleção, e com cada vez mais demandas do consumidor por novidades, o que acontece com quem cria para o mercado de moda, é uma necessidade de produzir roupas como se fossemos padaria: 2 fornadas por dia. E o que acontece com o consumidor? Ele não consegue mais discernir sobre o que ele realmente deseja e acaba enchendo os armários de peças que duram pouco mais de 2 meses, alimentando um pequeno monstrinho insaciável dentro do bolso.

E nessa história a gente não sabe quem incentiva mais a loucura: o consumidor sedento de novidades instantâneas e 20 coleções por ano, ou as marcas que trabalham nesse ritmo alucinante, alimentando a neurose das pessoas. O fato é que hoje, com uma loja online, eu percebi que tentar sanar essa euforia consumista enchendo a loja de novidades toda semana é, além de uma tarefa impossível, uma verdadeira exaustão sem fins lucrativos. Por que novidade o tempo todo não quer dizer venda. Mas ter tempo para preparar boas novidades, isso sim dá certo. :)

 


Fotos da primeira estampa de inverno da Prosa, que ainda está em produção. A inspiração no gibão dos cangaceiros nordestinos serviu de estética para a montagem das estampas de encaixe.


E é por isso que as coleções na Prosa demoram tanto a sair: por que somos apenas 4 pessoas (eu, mamãe e duas costureiras não fixas) para dar conta de todo o processo: da criação, à venda, passando pelo design das estampas, escolha dos tecidos, impressão, modelagem, corte, pilotagem, acabamentos, costura, fotografia, redes sociais, vendas, correios, emails, etc. No começo a gente entrou nessa neurose de querer criar coleções o tempo todo, mas agora percebemos que nosso ritmo é mais lerdinho mesmo, até pela falta de mão de obra.

A gente faz tudo com calma, com tempo pra testar vários acabamentos, vários tipos de tecido, várias impressões, várias modelagens. É bem verdade que às vezes dá um nervoso de não ver a coisa pronta VERY FAST, mas a gente respira e segue em frente com a velocidade que a vida nos permite. No final das contas, além de ficarmos bem mais felizes com o resultado final das peças, temos mais controle sobre a nossa produção, ainda que ela não chegue à loja 5 meses antes da estação para a qual ela foi criada.

E vocês, o que acham desse assunto? A moda precisa desacelerar ou tá bom 5 coleções por mês nas lojas? hehehe

Beijos, Carols

MODA: WHY SO BORING?

26 março 2015
#eikepreguiça

Lembram de um post que escrevi há uns tempos aqui no blog, sobre o efeito nuvem? Esse aqui. Resumidamente, no post eu falei sobre como as pessoas são impactadas pelas mesmas mensagens/movimentos/pensamentos, etc e como isso se reflete não só nos nossos desejos de moda, como em várias outras esferas da nossa vida. Então me surpreendi ao entrar ontem no blog da Dani e ler este post aqui: Abusei da moda! Nele Dani diz que perdeu aquela vontade louca de ir ao shopping ver as novidades de todas as lojas e que percebeu que a moda não tem trazido nada de novo e isso a deixou desestimulada. Curioso é que esse sentimento de "cansaço" já tomou conta de mim há meses e eu entrei numa crise bem parecida. Eu e Dani encontramos esse sentimento de enfado na enorme nuvem que paira sobre as nossas cabeças: a banalização da moda. (E com isto não quero dizer que a moda não deva ser acessível, ok????)

Eu estou nessa crise há meses e nesse tempo todo pude refletir muito sobre o assunto. Será que estou sendo crítica demais? Será que a moda virou mesmo um grande círculo infinito? Será que está tudo sempre igual? Será que não dá pra gente se reinventar e fugir um pouquinho dessa curva? Qual será o meu papel como blogueira? Qual a relevância da moda que eu apresento? Diante de tantas questões que poderiam minar meu próprio conteúdo, tive vontade de abandonar o blog, de parar de montar looks no automático, de viver sem "mostração". Mas escrever é, na verdade, o que eu mais gosto de fazer no blog, então mantive o coitado. É bem verdade que há tempos vinha sofrendo de um certo desgosto pela moda e ao tentar compreender o porquê dessa insatisfação, me deparei com uma verdade muito pessoal: eu não estava olhando para a MODA, eu estava olhando para blogs de consumo. Porque não é da moda que eu estou cansada, é do universo de quem  consome/reproduz receitas mastigadas. (daí eu ter pensado em acabar com o meu, por que talvez ele não tivesse relevância/informação de estilo suficientemente interessante).

Vou explicar: sigo vários blogs, muitos perfis no instagram e exceto 2 ou 3 pessoas que trazem algum conteúdo diferente, o que eu vejo em todos os outros é mais do mesmo. Não são meninas que exploram suas capacidades criativas, trazendo para a realidade um look de passarela (sem pagar pelo look de passarela, óbvio kkkkk), ou mostrando como criar um visual mais interessante pro trabalho, ou ainda valorizando suas curvas e contradizendo as regrinhas do manequim 36. São meninas que transformaram seus perfis em vitrines de loja, em cabides de marcas, em reproduções de lookbook. E é super legítimo anunciar marcas, ganhar dinheiro com isso porque afinal é o trabalho das blogueiras, mas precisa ser tudo tão parecido? A moda não oferece visões diferentes o suficiente? Oferece! Mas essas visões estão pulsando fora do circuito e muitas vezes a gente não enxerga/não curte/não consome/não procura/não vê (até porquê, ninguém é obrigado...kkkk).

Não sei vocês, mas eu fico angustiada de visitar dezenas de perfis e não ver nada que me traga um olhar diferente sobre a moda, sobre usabilidade, sobre irreverência, sobre sair do lugar comum e talvez seja essa a aflição de Dani. (daí que eu parei de visitar blogs de moda e foquei em visitar portais sobre o assunto) Não foi a moda que ficou cansativa e repetitiva, foram as lojas, as marcas, as pessoas que estão sempre reproduzindo as mesmas imagens, se tornaram cada vez mais iguais. Um sem fim de obviedades que nunca me surpreendem e sobre as quais eu sempre bocejo: "putz, de novo isso?" Por que, gente, dá pra usar as mesmas tendências de todo mundo e ainda assim ficar diferente. É só pensar fora da caixinha-capa-de-revista-capricho e fazer o exercício de sair do lugar comum. "Ah, Carol! Deixa de ser chata! Ninguém é obrigada a sair do lugar comum se não quiser!" Verdade. Mas também é verdade que é preciso saber diferenciar o que é gostar de moda, do que é gostar de roupa. E quem só gosta de roupa tende a consumir e reproduzir fórmulas mais fáceis, sem se dar o prazer do erro.


Incomodar no sentido de sair da nossa zona de COMODISMO, ok? Não no sentido de agredir. ;)

Pensem comigo: calças, blusas, casacos, vestidos...todas essas peças já foram inventadas há séculos. O trabalho de um estilista é reinventar em cima de formas já consolidadas. É inovar a partir de um formato enrijecido pela usabilidade. E se as grandes marcas conseguem fazer verdadeiras revoluções estéticas (vide McQueen!) em cima de modelos já estabelecidos, então nossa capacidade como consumidoras pode ser igualmente revolucionária, basta mudarmos nosso olhar. Com isto eu não quero dizer que todo mundo tem que sair por aí vestida de inseto. Apenas que, como ~formadoras de opinião fashion~, eu entendo que deveria ser essa a premissa de qualquer blog cujo assunto seja moda: trazer uma forma diferente de usar as mesmas coisas, seja qual for o propósito/ocasião. Porque vestir um conjunto de vitrine não é exatamente uma visão inovadora, é uma fórmula enfadonha que faz a gente ter a certeza de que a moda estagnou e que o mundo só nos apresenta as mesmas coisas, o que não é verdade. E, meu deus, como a gente precisa reciclar o olhar!

Desafio qualquer pessoa a entrar no style.com e ver todos os desfiles das últimas semanas de moda. Das marcas mais ~badaladas~ às menos conhecidas. Até pra quem nem gosta tanto de moda assim é um deslumbre. É uma descarga elétrica nos nossos sentidos. É a confirmação de que a criatividade humana é um dom sobrenatural. É a certeza de que a nossa missão no mundo deveria ser essa: criar! porque somos tão geniais nisso. Desafio a assistirem este vídeo aqui e entenderem o porquê de ser impossível a gente perder o tesão na moda. Nessa moda, claro. (porque moda de fast-fashion com escravos do Camboja não dá tesão em ninguém, que fique claro)


Assisti esse vídeo inúmeras vezes, como uma terapia mesmo, e foi assim eu voltei a amar este universo. Não como um "objeto" de consumo, mas como um trabalho artístico que deve ser reverenciado e contemplado com muita admiração. Às vezes a gente precisa entrar numa crise dessas para questionar e rever nossas escolhas, trilhar novos caminhos. Eu, por exemplo, usei minha crise para direcionar meu olhar de forma diferente, buscando criar looks mais arrojados, que explorem mais a criatividade do que a beleza em si, por que entendi que este é um caminho que ME agrada. E nessa crise eu descobri que a moda de verdade é como a arte: não precisa ser bonita, não precisa ser perfeita. Precisa causar algum tipo de sentimento seja de admiração, seja de estranheza, seja de ojeriza (e com isto eu não quero dizer que a gente tem que se vestir pra "causar" ou pra receber elogios), mas principalmente tem que ser um elemento de surpresa. Acho que é isso que falta nas araras da vida: menos padrão, mais emoção.


Ps: 1) É claro que o estilo de cada pessoa conta na hora de escolher roupas, mas até dentro do estilo mais simples (vide Jules Sariñana!, é possível sair do óbvio. 2) É claro também que uma pessoa que vai trabalhar no escritório usando terno, ou num campo de obras, ou em profissões menos flexíveis não tem a liberdade poética para inventar no look do dia, mas o texto é especificamente sobre o que as marcas e pessoas absorvem, repetem e reproduzem dos formatos deste universo. :)

Beijos, Carols

Na mira - Giovanna Battaglia

12 fevereiro 2015
A pessoa em questão não é novidade no mundo da moda, mas a cada look que Giovanna Battaglia desfila pelas ruas, meu coração pula uma batida. Ex-modelo da Dolce & Gabbana, Giovanna começou sua carreira como stylist sob a supervisão de Anna Dello Russo, na L'Uomo Vogue. Hoje é editora sênior da Vogue Japão e uma das mulheres mais clicadas pelos fotógrafos de streetstyle.

Se tem alguém neste mundo que eu considero o supra-sumo da elegância, essa pessoa é Giovanna Battaglia. A pesar dela ser apenas 4 anos mais velha que eu (ela tem 33 anos! pasmem!), o que ela veste é tudo aquilo que eu me imagino vestindo aos 40 anos, quando eu atingir uma espécie de maturidade fashion sensacional e inde$$$critível, que não é o caso no momento. hahahahaha. Ela é, com certeza, uma das minhas maiores fontes de inspiração (vide post da calça amarela).


Giovanna é a típica italiana charmosa, que aposta sempre em looks sequinhos, femininos, com cores vibrantes e estampas atemporais. Segundo palavras da própria sobre seu estilo, "tento me vestir de forma menos óbvia, ou se visto algo mais clássico, aposto em acessórios ou sapatos muito loucos, mas sempre sem exagerar."

Na prática o que vemos é que Giovanna é dona de uma elegância sem esforço. Effortless chic, diriam os fashionistas. Usa pouca ou nenhuma maquiagem. Pouco ou nenhum brinco. Cabelos pouco ou nada penteados. Mas compensa essa simplicidade com óculos e pulseiras maravilhosos, clutches e sapatos de tirar o fôlego, cores e estampas ultra femininas, cortes e modelagens impecáveis.

Vamos suspirar junto comigo?


          




O vestido xadrez, a calça amarela, o macacão de bolinhas. Ah, quanto amor, Giovanna.

Beijos, Carols