Dia desses eu passeava pelo Parque Lage, meu já conhecido lugar favorito do mundo, e me deparei com um enorme letreiro luminoso em meio às plantas. Em néon amarelo, à vista de todos, intervindo na paisagem, quase incomodando com seu grito silencioso, lá estava A Grande Chance. É mais ou menos assim que a gente espera que as coisas aconteçam na nossa vida, que o destino nos ofereça grandes epifanias muito bem sinalizadas por um letreiro luminoso de largas proporções. É que estamos míopes de coração. Mas as grandes chances acontecem das formas mais discretas, muitas vezes confusas e sem aviso e por tantas vezes nos passam despercebidas, que beiramos a negligência absoluta, tal é a desatenção que damos às minúcias da vida.
As grandes chances são eventos muito pequenos, ínfimos, minúsculos, atômicos, que acontecem à nossa volta e se perdem em meio à profusão dos grandes acontecimentos espalhafatosos, exuberantes e instagramizáveis, que distraem nossa atenção das pequenas grandes chances diárias. Essa intervenção no Parque Lage ressoou profundamente dentro de mim. Fiquei horas pensando em todas as vezes que reclamei que nada especial acontecia na minha vida e hoje olho para trás e percebo a quantidade enorme de grandes chances que tive e que me trouxeram até aqui, até este enorme letreiro luminoso.
As grandes chances são mudas e não gritam aos nossos ouvidos "ei, estou aqui.". As grandes chances são livres, e estão à disposição dos que observam com atenção. Treinar o olhar é como treinar qualquer músculo do corpo. É uma doação diária, um estado de alerta constante, pautado por muito esforço e algumas dores, mas uma forma de aguçar nossa capacidade de encontrar as maiores chances nos mais estranhos caminhos, mesmo no escuro, sem letreiros.
Vestido/blusa: comprei no Mercado Mistureba e nem lembro quanto foi | Bolsa: Feira de Ipanema, R$ 90 | Tênis: Adidas Originals Gazelle | Colar: Flow Acessórios | Óculos: Loucos por Óculos
Beijos, Carols










