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A grande chance

22 maio 2015
Dia desses eu passeava pelo Parque Lage, meu já conhecido lugar favorito do mundo, e me deparei com um enorme letreiro luminoso em meio às plantas. Em néon amarelo, à vista de todos, intervindo na paisagem, quase incomodando com seu grito silencioso, lá estava A Grande Chance. É mais ou menos assim que a gente espera que as coisas aconteçam na nossa vida, que o destino nos ofereça grandes epifanias muito bem sinalizadas por um letreiro luminoso de largas proporções. É que estamos míopes de coração. Mas as grandes chances acontecem das formas mais discretas, muitas vezes confusas e sem aviso e por tantas vezes nos passam despercebidas, que beiramos a negligência absoluta, tal é a desatenção que damos às minúcias da vida.

As grandes chances são eventos muito pequenos, ínfimos, minúsculos, atômicos, que acontecem à nossa volta e se perdem em meio à profusão dos grandes acontecimentos espalhafatosos, exuberantes e instagramizáveis, que distraem nossa atenção das pequenas grandes chances diárias. Essa intervenção no Parque Lage ressoou profundamente dentro de mim. Fiquei horas pensando em todas as vezes que reclamei que nada especial acontecia na minha vida e hoje olho para trás e percebo a quantidade enorme de grandes chances que tive e que me trouxeram até aqui, até este enorme letreiro luminoso.

 

As grandes chances são mudas e não gritam aos nossos ouvidos "ei, estou aqui.". As grandes chances são livres, e estão à disposição dos que observam com atenção. Treinar o olhar é como treinar qualquer músculo do corpo. É uma doação diária, um estado de alerta constante, pautado por muito esforço e algumas dores, mas uma forma de aguçar nossa capacidade de encontrar as maiores chances nos mais estranhos caminhos, mesmo no escuro, sem letreiros.

Vestido/blusa: comprei no Mercado Mistureba e nem lembro quanto foi | Bolsa: Feira de Ipanema, R$ 90 | Tênis: Adidas Originals Gazelle | Colar: Flow Acessórios | Óculos: Loucos por Óculos

Beijos, Carols

Tudo Azul

10 novembro 2014
É impressionante o tempo que as coisas levam para serem feitas. Lembro que em meados de maio/junho eu fui ao Parque Lage fotografar alguns elementos para criar uma nova coleção de estampas para a minha loja. O Parque Lage é, com certeza, meu lugar favorito no Rio de Janeiro e por isso queria criar alguma coisa inspirada num lugar que me faz tão bem. Então fui lá tentar captar algo que pudesse ter a essência do parque. Passei horas clicando tudo o que via pela frente e assim que cheguei em casa comecei a transformar as fotografias em material para compor novos padrões.

Foi assim que nasceu a primeira estampa de verão da Prosa. O Parque Lage tem um aquário artificial onde vivem algumas espécies de peixes e uma dessas espécies me chamou a atenção porque as escamas formavam uma textura de "oncinha". Achei lindo e queria vestir aquele peixe psicodélico a todo custo. E assim transformei a fotografia do peixe em estampa, a estampa em tecido, o tecido em corte, o corte em costura, a costura em fotografia de novo. Esse processo ficou pronto agora, quase 6 meses depois da minha ida ao Parque Lage. A visão de quem cria galopa a uma velocidade que a realidade é incapaz de acompanhar. A frustração da espera é imensa, o processo de produção é longo e doloroso, cheio de perdas e erros e estresse, mas a sensação de ver a peça pronta e lindamente fotografada, é uma recompensa sem descrição.

   
 Fotos: Mamis

Fiz as fotos da Prosa na Praia de São Conrado e o dia colaborou perfeitamente para o clima que eu queria dar ao ensaio: sol com neblina no mar. Além disso minha mãe comprovou de vez seu talento fotográfico! Como fiquei orgulhosa dela! As fotos ficaram maravilhosas. Quanto ao styling, caprichei bastante nos acessórios para enriquecer a produção e acho que essa estampa conversa super bem com tudo que é de corda ou miçanga. Imagino que meu verão vai ser assim, pesando a mão nos balangandãs. Adorei o resultado do trabalho e estou ansiosa para ver o resto da coleção toda pronta, nas minhas mãos. Agora eu entendo o porquê de uma marca criar uma coleção com, pelo menos, um ano de antecedência, porque realmente essa vida é uma dureza: o tempo entre idealizar e concretizar é um imenso mar azul. Imenso.

Todas as peças à venda aqui, no site da Prosa. :)

Beijos, Carols