Se tem um espaço no Rio de Janeiro que consegue disputar com o Parque Lage, um lugar no meu coração, esse espaço é a Antiga Fábrica da Behring. Foi minha amiga Carol Santos (a do brunch!) que me levou a conhecer esse complexo artístico situado no bairro de Santo Cristo, no centro do Rio. A Fábrica da Bhering é envolta em processos jurídicos de leilão e desapropriação do imóvel e, por ser um espaço abandonado e caindo aos pedaços, servia como cenário para gravação de filmes e películas.
Aos poucos o espaço foi atraindo o olhar de artistas plásticos que perceberam o potencial do edifício para criar um polo artístico no Rio. Dezenas de escultores, pintores, designers, se instalaram no prédio, alugando e restaurando os espaços e salas abandonados, a preços módicos comparados com o aluguel de um atelier comum. O resultado foi um complexo de criativos trabalhando sob o mesmo teto. Depois de ter sido leiloada, a fábrica passou por momentos de tensão e os artistas correram o risco de serem expulsos da propriedade. Mas em 2012 a Prefeitura do Rio assinou um acordo de tombamento e desapropriação da Fábrica, que hoje integra o circuito do ArtRio e conta com renomados artistas como Bel Lobo (móveis e decoração) e René Machado (artes plásticas). Se isso não é f*da, eu não sei o que pode ser.
Assim, a Fábrica da Bhering começou a abrir seus espaços para a visitação do público todo primeiro sábado do mês. A ideia é que a população conheça de perto o trabalho dos mais variados artistas: pintores, escultores, arquitetos, designers de moda, artesãos, ourives, fotógrafos, sapateiros, designers de móveis, ceramistas, músicos, marcas de roupas, entre outros. E lá fui eu, novamente, visitar a Fábrica e me deslumbrar com o que tem ali dentro.
Ter um atelier na Fábrica da Bhering é o meu sonho de consumo. O lugar é inspirador e trabalhar cercada de pessoas e coisas super criativas, dá vontade de produzir mais e mais. Infelizmente a Fábrica tem lista de espera para o aluguel de espaços, mas não custa sonhar cada vez que vou lá. Com a revitalização dos bairros adjacentes e a criação do Porto Maravilha, provavelmente a Fábrica vai ficar ainda mais visada e seus espaços vão ser disputadíssimos.
Um dos espaços mais incríveis e encantadores da Fábrica, é a loja da Bel Lobo, designer que cria os objetos de decoração mais desejo da minha vida. Tudo é lindo e absolutamente funcional, respeitando as características mais essenciais de um bom design. Outro espaço sensacional é o telhado da Fábrica, de onde temos uma vista incrível da cidade. Um astral maravilhoso.
No telhado da Fábrica tem a Editora Bolha, de publicações independentes e o atelier de 3 ceramistas, com peças lindas. Para minha surpresa, desta vez o atelier contou com a visita de algumas mulheres de tribos do Baixo Xingu, do Pará. Coisa linda foi pegar no colo a bebê chamada Uambé (significa cipó), com as perninhas tatuadas de carvão. Fiquei ENLOUQUECIDA com aquela criança. Acabei fazendo um desenho tribal do xingu no braço e saí dali com vontade de tatuar de verdade aquela beleza.
Minha vontade foi de morar ali, nunca mais sair dali e para todo sempre permanecer ali. Tem qualquer coisa muito mágica naquele lugar. Acho um privilégio tão grande poder ver e sentir tanta coisa bonita num dia só, que dá vontade de fazer parte daquilo, de criar loucamente, de colocar no mundo mil coisas maravilhosas, só para provocar nos outros o mesmo sentimento de encanto e "transbordamento" que eu sinto quando chego num lugar desses.
Beijos, Carols

















