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Um pouco mais de Inhotim

14 julho 2015
Mais um fim de semana incrível em Minas Gerais. Sempre vou com o tempo contado, chegando num dia, indo embora no outro, então eu e o namorado temos pouco tempo pra ficar juntos, mas o tempo que temos é sempre muito bem aproveitado! Este fim de semana não foi diferente. Apesar de eu ter ocupado o sábado inteiro com trabalho, fazendo o namorado ser fotógrafo da Prosa (heheheh), pelo menos no domingo nós tivemos nosso momento de "descanso". Fomos novamente a Inhotim!

Desta vez pegamos a estrada de Casa Branca, um povoado nos arredores de Belo Horizonte onde encontramos um vale belíssimo. O caminho é bem mais longo e cheio de curvas (fiquei meio enjoada), mas a paisagem é tão linda que é impossível não parar no meio do caminho para tirar foto da vista.


Chegamos a Inhotim depois do almoço. Achamos que não daria tempo de ver todas as obras que ainda nos faltava visitar, uma vez que o museu a céu aberto tem vários setores (identificados por cores) e é tão grande, que dificilmente dá para ver num único dia. Mas...nos enganamos! A primeira vez que fui para Inhotim foi com Igor e nós ainda nem éramos namorados. Abafa. Andamos MUITO dentro do local, cansamos muito, ficamos destruídos, mas não imaginávamos que tínhamos percorrido praticamente o museu inteiro.

Então desta vez nosso passeio foi bem leve mesmo e focamos em visitar duas obras: a intervenção de Yayoi Kusama, com as famosas bolas prateadas flutuantes e as paredes coloridas de Hélio Oiticica, que já tínhamos visto, mas eu queria visitar novamente. De resto passamos a tarde passeando pelo jardim, tirando fotos da natureza exuberante do local, tudo sem muita pressa e sem muito cansaço.

Foi ótimo por que deu para aproveitar o visual deslumbrante do lugar. Confesso que, apesar das inúmeras obras de arte absolutamente fantásticas do local, a natureza e o paisagismo dos jardins cativam muito mais minha atenção. 




Inhotim é um desses lugares que todo mundo deveria ir pelo menos uma vez na vida. É inspirador, é onírico, é maravilhoso. É a materialização da capacidade humana de produzir coisas fantásticas e é, a meu ver, um dos motivos pelo qual eu acredito que a missão do homem na terra não é apenas a reprodução de si mesmo, mas sim a criação constante da arte e da beleza. Viajei na maionese? #libriana :P

Beijos, Carols

Uma visita a Inhotim

27 janeiro 2015
Antes de falar da minha visita relâmpago a Inhotim, preciso dizer que este fim de semana fui a Belo Horizonte, sempre daquela forma corrida que é a minha vida, como vocês sabem. Não conheci muitas coisas em BH por falta de tempo mesmo, mas dei um pulinho em 3 lugares rápidos para fazer o quê? COMER.

Todo mundo sabe que Minas Gerais está no top 5 delícias do Brasil e eu confirmei isso de perto. Comi feito uma condenada nos 2 dias que passei na cidade e eita que alegria. BH me encantou de verdade e olha que eu não era fã de cidades que não beiram o mar. Vocês sabem, eu amo praia, amo azul, amo banho de mar e nunca cogitaria morar longe de um oceano, mas BH me deu um abraço bem apertado, que não deu vontade de sair. A cidade é charmosa, quase pacata, linda, limpa, com pouco trânsito e cheia de beleza pra onde a gente olha. Fofuras em cada canto. Pracinhas, restaurantes deliciosos, cafés, monumentos e leitoras fofas que encheram meu instagram de mensagens queridas e convites pra um cafézinho. Todo mineiro é assim, um amor, um doce? <3

Fui tão bem recebida, que provavelmente devo voltar para conhecer melhor a cidade e, quem sabe, fazer um encontro pra conversar potoca. Nem preciso mencionar a atenção da minha amiga Flavinha, que conheci na viagem a Cartagena, e abriu os braços (e o espumante rosê) em BH pra mim, no meu primeiro dia de viagem. Amei! Então separei 3 lugares deliciosos que visitei na cidade antes de ir pra Inhotim, propriamente.


Comi de passar mal mesmo. Fui no Casa Cheia, um restaurante dentro do Mercado Central de BH que faz super jus ao nome: é lotado e maravilhoso. No CCBB almocei no Café com Letras, mas não deu tempo de ver nenhuma exposição. E conheci também a Casa Bonomi, um café perdido no tempo, absolutamente maravilhoso, com interior todo em madeira, produtos frescos e artesanais da casa e uma música clássica de fundo. Ficaria ali pra sempre comendo croissant com queijo de cabra. Isso foi tudo o que vi em BH. Inhotim foi o destino!

Antes de visitar Inhotim eu apenas sabia que o local era o maior Centro de Arte Contemporânea a céu aberto da América Latina. Tal grandiosidade não poderia passar despercebida na minha vida, de forma que mais cedo ou mais tarde esse roteiro iria aparecer por aqui. Mas conhecendo pessoalmente esse lugar, percebi que além de arte, Inhotim é igualmente exuberante em fauna, flora, arquitetura e paisagismo. Um lugar pra gente se perder!

Localizado no município de Brumadinho, a uns 60 km de BH, Inhotim possui um complexo de galerias de arte espalhadas por um território tão vasto que é praticamente impossível visitar o lugar inteiro num só dia. Eu mesma só consegui visitar uma área e meia do mapa. Além do calor danado que estava fazendo, eu não fui preparada para caminhadas porque 1) sou demente e esqueci o tênis no Rio; 2) achei que o lugar fosse menor. HAHAHAHAHAHAAHAH #imbecil. Mas pelo menos tirei fotos lindas de alguns dos meus momentos/monumentos preferidos.



 Galeria Adriana Varejão

 Obra de Luiz Zerbini

 Obra de Hélio Oiticica

 Viveiro de Cactus

 Obra de Matthew Barney[/caption]

 Galeria Adriana Varejão

 Orquidário de Vandáceas

 Obra de Olafur Eliasson

 Obra de Valeska Soares

 Obra de Chris Bürden

 Jorge Macchi (sim, você pode tomar banho na piscina)

 Viveiro de Cactus

 reflexos inusitados

 folhagens exuberantes


Depois de passar um dia inteiro em Inhotim, saí de lá cansada, suada e estafada. A gente anda demais ali dentro e tudo é uma subida, uma descida, outra subida, uma ladeira, uma loucura. Muita perna e muita água pra aguentar o tranco. É essencial ter um pouco de preparo físico, fôlego e disposição para aproveitar o que o lugar oferece. Eu fiquei especialmente encantada com toda a sorte de plantas e cenários paradisíacos do lugar. Inhotim é uma sinfonia harmoniosa entre a natureza e a arquitetura e a vontade que dá é de morar em alguma galeria daquelas. Para quem gosta de artes plásticas, mais especificamente pintura, como eu, o lugar oferece poucas obras que realmente impressionam e por isso o que mais gostei nas áreas que visitei, foram os quadros do Luiz Zerbini e os azulejos de Adriana Varejão. Ok, são justamente os artistas brasileiros clichê, que eu já conhecia, mas fazer o quê né? hehehehe amor é amor. Mas pra quem curte mais arquitetura e experiência, Inhotim é um prato cheio.

Sobre o local

Além das galerias de artistas do mundo inteiro, espalhadas em 3 grandes áreas, Inhotim tem também restaurantes muito bons (almocei no Tambaril, que é maravilhoso!), lojinha de plantas com várias espécies presentes no parque, pra quem quer montar um jardim exótico, uma loja de lembranças e peças lindíssimas de decoração e papelaria, bancos talhados em troncos de madeira absolutamente surreais pra quem quer descansar entre uma galeria e outra, bebedouros de água fresca everywhere, carrinhos tipo de golf para levar os visitantes entre determinados pontos do lugar (isso é pago, ok?), guias em cada galeria que explicam tudo sobre a obra e o artista em questão. Então quem visita precisa apenas levar roupa confortável e fresca, tênis, garrafa de água, umas barrinhas de cereal pra não morrer de fome.

Dicas Importantes

1) O aeroporto de Confins não tem esse nome à toa. Ele é realmente nos confins do mundo e longe de BH. hahahaha (tava doida pra usar essa piada sem graça) A dica é pegar um bus executivo da Unir, que custa R$ 23 e te leva ao centro de BH no maior conforto, em apenas 1 hora de ar-condicionado delicioso e poltronas fofinhas. Então contem bem o tempo na hora de voltar pro aero, pra não perder o vôo. #blogueiraamiga

2) Para ir de BH pra Inhotim tem ônibus na rodoviária e todas as informações necessárias no site do Inhotim: https://www.inhotim.org.br  Inclusive dicas de onde ficar em Brumadinho, a lista de exposições permanentes do local e etc.

3) A entrada para Inhotim custa R$ 30, mas vai aumentar para R$ 40 em Fevereiro. Além disso o lugar fecha às segundas-feiras, que é o "dia mundial de fechamento de museu". hahahahah

4) usem o mapinha gratuito que é oferecido na entrada do parque. ele vai ser muito, muito útil.

5) em Inhotim não pega rede nem 3G. Aproveitem o local sem aquela neurose de postar tudo no instagram. Façam como eu,  usem o wi-fi grátis do aeroporto pra encher o insta de foto maravilhosa. HAHAHAHA

6) Vão pra Minas, gente. É incrível! 

Beijos, Carols

Antiga Fábrica da Bhering

11 novembro 2014
Se tem um espaço no Rio de Janeiro que consegue disputar com o Parque Lage, um lugar no meu coração, esse espaço é a Antiga Fábrica da Behring. Foi minha amiga Carol Santos (a do brunch!) que me levou a conhecer esse complexo artístico situado no bairro de Santo Cristo, no centro do Rio. A Fábrica da Bhering é envolta em processos jurídicos de leilão e desapropriação do imóvel e, por ser um espaço abandonado e caindo aos pedaços, servia como cenário para gravação de filmes e películas.

Aos poucos o espaço foi atraindo o olhar de artistas plásticos que perceberam o potencial do edifício para criar um polo artístico no Rio. Dezenas de escultores, pintores, designers, se instalaram no prédio, alugando e restaurando os espaços e salas abandonados, a preços módicos comparados com o aluguel de um atelier comum. O resultado foi um complexo de criativos trabalhando sob o mesmo teto. Depois de ter sido leiloada, a fábrica passou por momentos de tensão e os artistas correram o risco de serem expulsos da propriedade. Mas em 2012 a Prefeitura do Rio assinou um acordo de tombamento e desapropriação da Fábrica, que hoje integra o circuito do ArtRio e conta com renomados artistas como Bel Lobo (móveis e decoração) e René Machado (artes plásticas). Se isso não é f*da, eu não sei o que pode ser.

Assim, a Fábrica da Bhering começou a abrir seus espaços para a visitação do público todo primeiro sábado do mês. A ideia é que a população conheça de perto o trabalho dos mais variados artistas: pintores, escultores, arquitetos, designers de moda, artesãos, ourives, fotógrafos, sapateiros, designers de móveis, ceramistas, músicos, marcas de roupas, entre outros. E lá fui eu, novamente, visitar a Fábrica e me deslumbrar com o que tem ali dentro.

 
Ter um atelier na Fábrica da Bhering é o meu sonho de consumo. O lugar é inspirador e trabalhar cercada de pessoas e coisas super criativas, dá vontade de produzir mais e mais. Infelizmente a Fábrica tem lista de espera para o aluguel de espaços, mas não custa sonhar cada vez que vou lá. Com a revitalização dos bairros adjacentes e a criação do Porto Maravilha, provavelmente a Fábrica vai ficar ainda mais visada e seus espaços vão ser disputadíssimos.


Um dos espaços mais incríveis e encantadores da Fábrica, é a loja da Bel Lobo, designer que cria os objetos de decoração mais desejo da minha vida. Tudo é lindo e absolutamente funcional, respeitando as características mais essenciais de um bom design. Outro espaço sensacional é o telhado da Fábrica, de onde temos uma vista incrível da cidade. Um astral maravilhoso.




No telhado da Fábrica tem a Editora Bolha, de publicações independentes e o atelier de 3 ceramistas, com peças lindas. Para minha surpresa, desta vez o atelier contou com a visita de algumas mulheres de tribos do Baixo Xingu, do Pará. Coisa linda foi pegar no colo a bebê chamada Uambé (significa cipó), com as perninhas tatuadas de carvão. Fiquei ENLOUQUECIDA com aquela criança. Acabei fazendo um desenho tribal do xingu no braço e saí dali com vontade de tatuar de verdade aquela beleza.

Minha vontade foi de morar ali, nunca mais sair dali e para todo sempre permanecer ali. Tem qualquer coisa muito mágica naquele lugar. Acho um privilégio tão grande poder ver e sentir tanta coisa bonita num dia só, que dá vontade de fazer parte daquilo, de criar loucamente, de colocar no mundo mil coisas maravilhosas, só para provocar nos outros o mesmo sentimento de encanto e "transbordamento" que eu sinto quando chego num lugar desses.

Beijos, Carols

ART RIO 2014

14 setembro 2014
Setembro começou movimentadíssimo na minha vida e, consequentemente, neste blog. Tantas coisas pipocando para fazer, que mal tenho tempo de organizar os posts para colocar no ar. Já levanto organizando minha "agenda" para ver como vou encaixar as diversas programações desse setembro maravilhoso.

Sexta fui ao Art Rua durante o dia, conferir os murais e galerias de artistas de rua que estão expondo no Ação Cidadania, lá no centro do Rio. Ainda na sexta, fui à Discoland, festa promovida pelo Art Rua, no mesmo local da exposição. A festa foi incrível! Voltei para casa de manhã e não sei como aguentei um sábado cheio de atividades. Sábado, eu e a Carol (lembram da amiga do brunch?) fomos almoçar na Casa Daros, museu que tem aqui pertinho de casa, em Botafogo, e de lá partimos em direção ao Píer Mauá, onde rola (até hoje) a Art Rio.

Passamos a tarde na exposição e foi fantástico. 5 pavilhões de obras de artistas bem conhecidos como Beatriz Milhazes, Adriana Varejão, Athos Bulcão, Andy Warhol, Yayoi Kusama, Di Cavalcanti, Cícero Dias, Monet! e Fernando de la Rocque e outros não tão conhecidos, expostos em galerias do mundo inteiro. Fiquei meio catatônica, meio retardada e me peguei, várias vezes, perdida da Carol por que meus olhos não paravam num lugar só. É muita informação, beleza, estranheza, inspiração num único espaço e o cérebro sofre as consequências.

Andamos tanto, que quase sofri uma falência muscular. hehehehe  

        

Selecionei algumas das obras e intervenções que mais gostei na exposição, mas foi realmente difícil eleger coisas preferidas entre tantas coisas belas. Enquanto andava pelos corredores da exposição, ouvi alguns comentários como: "Ah, quem faz isso é gente louca" ou ainda "Ai que saco, essa exposição." Tenho pena, pena mesmo, que a arte não exerça um poder de abstração em todo mundo, por que me parece que a incapacidade de compreender o que se vê impede as pessoas de usufruírem o que os sentidos oferecem. Taí uma matéria que deveria ser inserida na grade curricular universal: Just feel it!

Eu sempre tive vontade de ser artista plástica, mas nunca me dediquei a nada nesse sentido. Apesar de desenhar, fazer estampas, pintar umas aquarelas aqui e ali, estou longe de ter propriedade técnica e intelectual para desenvolver um trabalho sólido nesse sentido. Contudo, ter visto tantas exposições de sexta para sábado, me abriu o apetite para me dedicar a alguns cursos nessa área e, quem sabe, voltar a pintar com mais intensidade.  É simplesmente fantástico o poder que a arte tem sobre os nossos sentidos e o que mais me fascina não é o processo criativo em si, mas o efeito que provoca em quem aprecia a obra. É uma troca intensa, do coração que produz, para o coração que percebe. Uma dessas epifanias da vida. Tem uma frase do poeta Ferreira Goulart, que traduz muito bem esse sentimento: "A arte existe porque a vida não basta."

E não basta mesmo. :)

Beijos, Carols