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sobre roupas e decisões

22 dezembro 2015
Falávamos sobre como a vida adulta é cheia de pequenas dificuldades e inúmeras decisões desimportantes, quando meu namorado virou pra mim e falou: "amor, sabe por que os grandes homens de negócios vestem todos os dias a mesma roupa? aquele terno, gravata e camisa branca? Pra não ter que lidar com decisões fora do trabalho." Naquele momento eu não sabia dessa informação - depois encontrei uma matéria sobre o assunto - mas foi como se uma verdade gigantescamente óbvia estivesse caindo no meu colo.

Mas como assim, vestir a mesma roupa? Vamos lá: Steve Jobs = camisa preta e calça jeans. Mark Zuckerberg = camiseta cinza e calça jeans. Karl Lagerfeld = blazer preto, camisa branca e óculos escuros. Michael Kors = blazer preto, camisa preta e calça jeans. Estes são só alguns exemplos, mas existem muitos outros. Usar sempre roupas iguais pode parecer uma falta de criatividade imensa, mas se pararmos para pensar na quantidade de coisas que podem ser transformadas na nossa vida só pelo fato de  não termos que decidir o que vestir, aí a ideia muda de figura.

1) A primeira de todas é uma óbvia assinatura de estilo. É inegável que a repetição se transforma em marca pessoal e a gente acaba sendo reconhecido por aquilo. Eu, por exemplo, uso tanta saia midi que é como se qualquer outra roupa/comprimento não fosse mais a minha cara. É como se, ao encontrarmos nossa assinatura de estilo, a gente tivesse encontrado a formulinha que dá certo e isso traz um certo conforto na alma.

2) Quando usamos sempre a mesma roupa (lavando, claro!), diminuímos muito o tempo que gastamos com tudo que envolve a manutenção de um armário com muita variedade. Economizamos tempo para escolher a roupa, para comprar algo novo, para lavar, passar e organizar o que temos. E como o tempo é algo cada vez mais valioso para nós, gastá-lo com essas pequenas decisões acaba gerando minúsculos estresses que se acumulam com o passar do tempo. Parece exagero né? Mas digo por experiência própria que já perdi as contas de quantas vezes gastei muito tempo escolhendo uma roupa, depois trocando, depois sofrendo por achar que não tinha nada pra vestir, depois saindo pra comprar algo novo pra tal festa imperdível, e aí comprei também um sapato pra combinar e quando percebi tinha torrado horas (e dinheiros!) valiosas do meu dia em busca de uma roupa que usei apenas uma vez. Acontece com todas nós.

3) Roupas iguais, armário enxuto. Por isso que a ideia do armário-cápsula está fazendo tanto sucesso. Tem coisa mais prática do que você ter apenas 37 peças de vestuário (contando sapatos!) com que se preocupar? Isso gera menos consumo, menos estresse e mais economia.

4) A partir do momento em que você decide limpar sua vida de peças supérfluas e focar em utilizar bastante tudo o que você tem, repetindo seus looks até a exaustão, você começa a optar por comprar peças de mais qualidade, mais bem acabadas, melhores tecidos, por que sabe que o preço vai compensar a durabilidade daquele item e assim você vai parar de comprar blusinha de quinta categoria na fast-fashion mais próxima.

Resumindo: você economiza tempo, dinheiro e paciência.

Mas aí a gente pensa: poxa, vestir sempre a mesma coisa? Que boring! Até parece falta de criatividade! Mas, como profissional criativa, que sempre trabalhei nessa área, eu posso afirmar uma coisa pra vocês: criatividade demanda tempo, não brota em árvore, dá trabalho e, por isso, às vezes é importante ter um "setlist" de looks repetidos para nos salvar de um dilema que, na real, não precisaríamos ter. É claro que isso não quer dizer que você vai deixar de ser fashionista e virar molambenta (apesar de você poder fazer isso, se quiser) e sim que você vai selecionar BEM melhor tudo que entra no seu armário pra não ter crises de indecisão.

Longe de mim querer me comparar a Steve Jobs, né gente...mas quando eu resolvi adotar um estilo mais "minimalista", foi pensando em simplificar minha existência fashion e diminuir a quantidade de roupas (e decisões!) que acumulo. Explico: sou libriana e, por mais que pareça ridículo, acredito muito que minha personalidade é incrivelmente regida pela minha conjuntura astral cada um com suas crenças. kkkkkkk. E por ser libriana, tomar decisões pessoais (minhas decisões profissionais são regidas pelo meu ascendente em capricórnio! kkkkkk) é tipo o pior pesadelo da minha vida. Cardápios de restaurante são como maçaricos queimando meus olhos. O pavor é tanto que eu paraliso diante de decisões ridículas como "comer sorvete de tapioca ou pistache?" Por esses motivos, me vestir também se tornou uma fonte enorme de angústias, além de muito tempo gasto trocando de roupa, odiando, desistindo.

O fato de ter um blog onde exponho o que visto também não ajuda muito nesse processo de decisões fashion porque, de alguma forma, eu me sinto na missão de trazer ideias legais pras minhas leitoras, looks inspiradores, ousados, arrebatadores (na medida do possível da minha realidade financeira kkkk) e nem sempre um basiquinho é meu ideal de inspiração. Na verdade o basiquinho, normcore, minimalista está longe de ser o tipo de "moda" que faz meu coração bater mais forte, mas foi esse o caminho que eu encontrei para economizar tempo e angústias na minha vida. E, apesar de não ser o estilo que faz meus olhos cintilarem, é com certeza o que mais me tem feito feliz.


Fotos: mamain <3

Então, para ilustrar todo esse blá blá blá, aqui está um dos looks que mais tenho usado nos últimos tempos: blusa ciganinha e calça cropped. Tenho apostado muito em peças básicas e como raramente encontro algo legal, fresquinho, sem ser poliéster, eu mesma criei uma série de peças assim para a Prosa. Tô chegando no nível de consumo que sempre sonhei: aquele em que eu mesma mando produzir minha roupa. hahahahah

Mesmo com o calor intenso do Rio de Janeiro, ainda não consegui parar de usar preto o tempo todo. Já falei pra vocês que essa é a minha ~cor da segurança~ né? Então como estou numa fase mais introspectiva da minha vida, questionando tudo, pensando mil coisas (mas sem decidir nada, óbvio hahaha), o preto tem sido meu "manto da invisibilidade" #harrypotterdetected e eu me sinto verdadeiramente forte usando essa cor.

Gente, que papo de louco foi esse? Steve Jobs, astros, decisões? Comecei falando de uma coisa, terminei falando de outra. Tenho passado tanto tempo sem escrever aqui que estou perdendo a capacidade de concatenar ideias! Me perdoem. :P


Blusa: Prosa, R$ 119 aqui | Calça Cropped: Prosa, R$ 159 | Tênis: Adidas Stan Smith, presente da marca | Colar e Pulseiras: Mercado Bossa | Relógio: Cluse Watches | Óculos: Loucos por Óculos, R$ 110 | Bolsa: presente da irmã | Batom: um mega velho da L'Oréal Paris.


Lá em cima

19 outubro 2015
Como vocês já sabem, sexta-feira foi meu aniversário e antes que eu comece a discorrer sobre essa data, quero aproveitar este humilde blog para agradecer todo mundo que me mandou mensagens via instagram, facebook e snapchat! Foram muitas energias positivas enviadas e eu fico muito grata por tanto carinho. <3

Então, para comemorar meus 30 anos, uma data marcante na vida de toda mulher, subi lá no Cristo Redentor, junto com minha irmã. Confesso, não sou religiosa e sinceramente tenho um pavor daquela muvuca que fica aos pés do Cristo. É muita gente, muita zuêra, parece uma micareta. Mas chatices pessoais à parte, é de lá de cima que eu consigo ver a cidade que mais me transformou como pessoa, profissional, mulher. Achei que devia ir lá agradecer intimamente, dentro do meu coração, todos os caminhos loucos que peguei pra chegar até aqui e o que construí depois que cheguei, que nem é muito, mas é meu e é precioso. Ainda vou parar para escrever um texto sobre essa revolução interna que está acontecendo, mas por enquanto fiquem com essa paisagem.


É claro que um dia especial, na companhia especial da minha irmã, merecia também um look do dia! hehehehe Como já falei outras vezes aqui no blog, tenho vestido looks mais simples na maioria dos dias, por um motivo bem óbvio: quanto mais a gente trabalha com cor e estampa, mais sentimos a necessidade de sermos "neutros". Pelo menos eu me sinto assim, mas sei que minhas vontades de libriana são passageiras e já já o verão da Prosa está aí para colorir minha vida de novo.

Mas enquanto essa coleção de verão não chega, estou apostando em looks casuais, confortáveis e minimalistas, como esse que usei para subir o Cristo com a sister na sexta-feira.

  
Fotos: Aimara Geissler

Uma das vantagens de ter uma irmã morando em Portugal é que ela chega com a mala recheada de presentes, só para me enlouquecer. Aimara é praticamente minha personal shopper: ela compreende como ninguém os meus desejos fashion do momento e sempre compra coisas pelas quais eu me apaixono e uso até rasgar. Então ela trouxe esse vestido de malha todo-coladjinho-kim-kardashian-style na cor preta e em cinza mescla. Já usei os dois vestidos várias vezes em uma semana pela praticidade e conforto. A princípio pode até rolar um desconforto em expor tanto nossas curvas, mas Kim Kardashian, musa inspiradora das mulheres curvilíneas, está aí para provar que qualquer corpo merece um tubinho preto. E sabe porque? Por que SIM. Por que a gente tá afim. Por que ninguém tem nada com isso. 



                    Olha minha cara de preocupação em ter que esconder meu quadril gigante.

Complementei o look com uma flatform musaaaaa (farei um post sobre esse sapato mara!) que minha irmã também trouxe de presente e arrematei o look com 3 acessórios bem básicos: uma sacola de pano que garimpei no Saara, um óculos de madeira e um colarzinho de citrino. Estou apaixonada por esse look.

O que acharam da produção?

Vestido Stradivarius e Sandália Pull & Bear, presentes da mana | Bolsa: Saara, R$ 40 | Colar: Mercado Bossa | Óculos: Zerezes, R$ 390

Minimal, not boring.

23 setembro 2015
MINIMALISMO


substantivo masculino: princípio de reduzir ao mínimo o emprego de elementos ou recursos.



Mesmo nessa fase minimal, onde tenho buscado investir cada vez mais em visuais simples, básicos, com pouquíssímos acessórios e elementos, é impossível não querer sair colorida ou estampada em algum momento da vida, simplesmente por que minha essência é assim. Então, dentro da minha nova proposta de looks, é um verdadeiro desafio encontrar uma forma de adaptar esse estilo mais sóbrio ao contexto das cores e estampas.



Quando pensamos em minimalismo, automaticamente vem à mente uma paleta de cores que varia entre preto, branco, cinza e azul marinho e se distribui em peças sequinhas, lisas e com modelagens simples. Mas o minimalismo é uma forma de reduzir qualquer ideia/conceito/decoração/estilo ao mínimo de interferências possível para destacar apenas o essencial, e isso não significa excluir cor ou estampa, mas escolher apenas um conceito central para sua proposta minimalista.

Peguei alguns looks como referência de que é possível encaixar esse conceito dentro de uma paleta de cores e estampas mais interessante sem, no entanto, perder a essência do movimento.


O que eu entendo, e posso estar errada, é que usar cores e estampas não invalida o minimalismo. A ideia é usar a menor quantidade de interferências junto aos elementos principais de um look e por isso é sim possível criarmos um visual mais clean sem precisar sair de casa sempre vestida de preto, desde que saibamos onde vamos fazer a "limpeza" no look. Por isso hoje vim assim:






 Resolvi montar um look com mix de estampas dentro de uma paleta sóbria de 4 cores: preto, branco, azul marinho e amarelo (e um rosa muito pálido ali no meio). Usei apenas uma bolsa simples branca e uma sandália igualmente branca e NENHUM outro acessório, além das flores meramente cenográficas. Também usei apenas uma maquiagem muito básica, fechando assim meu look minimalista estampado. Em outras situações eu poderia ter adicionado um batom vinho, um colar, um óculos escuro e anéis para dar uma ~incrementada~ na produção, mas hoje reduzi o conceito do look estritamente à mistura de uma estampa gráfica (a saia listrada) e uma estampa floral menos "florzinhas",  mais moderna.

Será que fiquei minimalista dentro do possível num mix de estampas? Ou só vale mesmo a roupa lisa?

Blusa: Zara, não lembro o preço | Saia: Zara, R$69 | Sandália: Zara, R$ 79 | Bolsa: Miallegra, R$ 89

Fake sidecut

21 setembro 2015
A  moda já passou, mas quem se importa?

Eu não sou uma pessoa de penteados. Uso sempre o cabelo igual, secando naturalmente, bem básico. Mas hoje resolvi apostar num fake sidecut, esse cabelinho aí que vocês estão vendo. Acho muito incrível quem tem desapego suficiente pra fazer um sidecut de verdade. Como eu não sou essa pessoa, resolvi usar grampinhos para segurar toda a lateral do cabelo e fingir que tenho esse visual ousado. hahahaha

Pra compor o resto dessa proposta, combinei o cabelo com um look minimalista. Já estou cansada dessa palavra, mas como definir esse estilo tão básico? hehehe Aí vocês me perguntam: Carol, por que você está tão minimalista? E eu respondo: acredito que quanto mais coisas eu crio, mais eu sinto a necessidade de me ver "limpa". Neste momento estou trabalhando num freela em propaganda e, em paralelo, estou tocando a produção de verão da Prosa e as estampas de inverno do ano que vem. MUITA informação, muita cor, muita inspiração, muita referência e uma urgência incrível de estar "neutra" no meio disso tudo. 




O que acham? Gostam desse tipo de penteado? Bem fácil de fazer, perfeito pra quem não tem muita paciência como eu, e ainda dá uma atualizada no visual do dia a dia. Quanto ao look, foi todo composto por peças baratinhas, garimpadas pela vida. AMEY o resultado.

Camiseta: Farm, comprada num bazar, R$ 40 | Saia: C&A, R$ 69 | Sandália: Bebecê, R$ 29 na promo da Paquetá | Óculos: Loucos por Óculos, R$ 55 | Bolsa: C&A, R$ 99 | Brincos: Flow para Mercado Bossa.